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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Que Venham os Anos 10


Com o final de 2009 se aproximando, é chegada a hora de olhar para trás, refletir e planejar o próximo ciclo. Aqui na Tribo foi um ano bastante produtivo, com o ponto alto tendo sido o lançamento do nosso primeiro livro (aliás, ainda há tempo para presentear alguém nesse Natal.com o livro da Tribo). Mas também foi um ano em que consolidamos a nossa comunidade on-line, principalmente no Twitter e no Facebook, e onde resolvemos escrever com mais frequência sobre empreendedorismo, com feedback bastante positivo.

Nos aproximamos também do final da primeira década do século 21. Década que não vai deixar saudade em muita gente, tenho certeza. Um período em que vivenciamos guerras estúpidas e um aumento preocupante de intolerância entre os povos. Um período em que a tecnologia avançou de maneira ainda mais impressionante do que havíamos visto anteriormente. Mas uma década em que nem toda a tecnologia disponível foi capaz de nos livrar de uma crise econômica de proporções gigantescas, de pandemias exageradas pela mídia, de fome nos quatro cantos do planeta, e de uma sensação desagradável sobre o meio-ambiente que estamos deixando para os nossos filhos. Uma década de vários e grandes problemas.

Portanto, como o período é de reflexão, cabe pensarmos de maneira mais ampla do que normalmente focamos aqui na Tribo. Carreira, Empreendedorismo, Gestão, mas a que custo? Com que consequências? Uma boa hora para refletirmos sobre o papel que queremos desempenhar nessa história toda.

Que venham os anos 10. Porque os que passaram já vão tarde.

Um ótimo Natal e um 2010 de muitas realizações a todos.

Reggie, the Engineer (João Reginatto).
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mamãe, Quero Ter Alto Desempenho - Reedição

Já falamos algumas vezes aqui de Talento x Esforço, geralmente fazendo referência ao Taffarel (o talentoso) a ao Mazaroppi (o esforçado).

No livro Talent is Overrated, de Geoff Colvin, já com tradução para o português sob o título de Desafiando o Talento, o autor exibe uma série de estudos com algumas conclusões bastante interessantes sobre o tema.

O primeiro paradigma que Geoff tenta quebrar é a associação de desempenho com talento. Um estudo de QI realizado com pessoas de alto desempenho mostrou que nesse grupo há pessoas brilhantes, mas também há muitas pessoas com o QI inclusive abaixo da média. Elas são excepcionais em seu ramo – sabem bastante a sua área e por isso conseguem um desempenho histórico tão alto, mas o QI não mede isso de forma alguma.

Diferente do QI, o que saltou aos olhos foi a memória. A maioria das pessoas de alto-desempenho apresenta uma memória muito grande, ajudando-os a reconhecer padrões que deram certo e padrões que fracassaram, auxiliando muito na decisão de qual caminho seguir. É claro que a memória não vem de graça: passaram anos lendo materiais e memorizando muitos dados essenciais para que hoje sejam tão bons no que fazem.

Para mim, que gosto bastante de música, essa noção já era bem clara. Mesmo tendo uma facilidade muito grande para matemática, e sendo o estudo da harmonia extremamente matemático (utilização de escalas pentatônicas, cromáticas, etc), até hoje sou um músico medíocre. As duas únicas músicas que escrevi são tão ruins que tive vergonha de torná-las públicas inclusive para minha esposa. Por quê? Simples. Sem prática, sem repetir exercícios inúmeras vezes, meus dedos, meu ouvido e muito menos meu cérebro não tem uma noção clara do que criar.

Mozart, mesmo tendo nascido com um dom muito grande para música, passou a infância treinando exaustivamente, repetindo milhares de vezes exercícios, sons e escalas. Caso tivesse se interessado por xadrez paralelamente na época, talvez hoje seu nome não seria associado com nada – nem a um músico famoso nem a um enxadrista bom. A chave do sucesso foi o foco que teve na música e, claro, uma boa memória que o fazia lembrar do que combina com o que e padrões que tinha ouvido que se encaixavam bem (afinal, temos apenas 12 notas). O mesmo pode-se dizer de Tiger Woods e Warren Buffet.

O segredo, além do foco e atenção dedicadas a essas atividades, seria o que Geoff chama de Prática Deliberada, que é um método estruturado e objetivo de treinamento. Imagine três círculos concêntricos. O círculo interno chama-se “zona de conforto”, o do meio “zona de aprendizagem” e o mais externo “zona do pânico”. O treinamento deve focar apenas na zona de aprendizagem – é só lá que você consegue melhorar. Exercitar a zona de conforto de nada adianta, pois você já faz bem aquilo. A zona do pânico é tão complexa para você que a aprendizagem é mínima, podendo ter efeitos até danosos.

Isso quer dizer que apenas repetir uma escala milhares de vezes não trará nenhum benefício se (1) você já souber bem aquela escala e (2) se você não souber por que eu está tocando aquilo. A cada repetição, se está na zona de aprendizagem, você irá analisar o que fez de errado e retroalimentar essa informação em sua próxima série de exercício, prestando atenção em cada detalhe.

Para ter sucesso no treinamento, você precisa:
  1. Saber aonde você quer chegar
  2. Praticar focado e utilizar a retroalimentação de suas observações (ou das de seu professor / mentor).
  3. Praticar no trabalho: prepare, avalie e se desenvolva. Use o ciclo PDCA.
  4. Aprofundar no conhecimento: leia sobre o assunto, seja o melhor que você consegue ser naquilo.
Por fim, o livro cita uma coisa muito interessante, dizendo que existem prodígios na música e na matemática, mas você nunca viu e provavelmente nunca verá um prodígio em física quântica e nuclear, simplesmente pelo fato de que uma criança não tem a capacidade de pensar naquilo e, por isso mesmo, não consegue praticar e por conseqüência não consegue nem entender aquilo direito, quem dirá dominar o assunto. Existem certas coisas que só com a idade são adquiridas. Gerência de pessoas, por ser um assunto completamente inexato e baseado em experiências, parece ser outro bom exemplo de uma coisa muito difícil de se encontrar prodígios...

Os ensinamentos do livro, em minha opinião, se aplicam diretamente ao nosso trabalho. Às vezes reclamamos que fomos mal avaliados, mas, no fundo, não fizemos nada de profundo para mudar a situação: não lemos sobre o assunto, não buscamos feedback e não praticamos com objetivo e foco para melhorar cada um dos tópicos identificados como oportunidades de melhoria – enfim, não nos esforçamos tanto quanto poderíamos.

Sem prática e trabalho duro, nem Mozart nem Tiger Woods seriam o que são.

Você não quer ser melhor que eles de graça, né?

Dr. Zambol
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Novos Mercados, Velha Choradeira


Depois de dominar o jogo de memória da Mônica e montar todas casas possíveis no simulador da Barbie, minha filha falou decidida:
- Pai, eu quero um notebook de Natal.
Minutos antes eu estava todo orgulhoso elogiando os conhecimentos dela de informática, marchei. Detalhe, ela recém completou quatro anos. Mas esperto mesmo é o Gustavo, nosso vizinho de cinco, que é o melhor amigo da Carol. Ele andava indeciso sobre seu presente de Natal, dentre as opções estavam um Nintendo Wii, o novo Parque do HotWheels e um Óculos de visão noturna. Em minha opinião, um empate técnico entre o Wii e os óculos, mas bom, eu já tenho um Wii. Lá pelas tantas o Gustavo vira para os pais com a decisão tomada:
- Pai, Mãe, eu já sei! Vou querer só um presente nesse natal.
Surpresos os pais perguntaram o que seria o maravilhoso presente:
- Quero só um Cartão de Crédito, assim posso comprar tudo que eu quiser!
Esse guri vai longe. Por via das dúvidas, já avisei a Carol que assim que o Gustavo ganhar o cartão, ela que peça o Notebook para ele.

No domingo fui ao shopping em busca de um aparelho de Blue-Ray. Na primeira loja que entrei o preço estava R$100,00 acima do valor oferecido no site. Reclamei para o vendedor, que me respondeu com uma bela desculpa:- Pois é senhor, o site não tem os custos operacionais que nós temos, aluguel de espaço físico, vendedores... Terminou a ladainha, mas não me deu conversa. Na loja ao lado onde encontrei o mesmo cenário, preço mais alto do que no site, mas a resposta do vendedor foi diferente:
- Sem problema senhor, nós podemos fazer o mesmo preço da internet.

Essas duas situações, embora aparentemente desconectadas, ilustram um fenômeno relacionado. Novos nichos de consumo aparecem a cada dia, como por exemplo: crianças consumistas e conectadas. A demanda não está diminuindo, está migrando para novos consumidores, novos canais ou novos produtos. A diferença está na postura dos players, que podem se adaptar aos novos tempos ou ficar sentados reclamando.

A atitude do primeiro vendedor do meu exemplo lembra um pouco as gravadoras, que vivem chorando a perda de receita com os downloads de músicas. Esquecem que praticamente imprimem dinheiro vendendo direitos de músicas antigas como ringtones e trilhas de jogos como Guitar Heroes. Depois da indústria fonográfica, cinema e TV, a bola da vez agora parece ser a mídia impressa. Acho que toda a discussão entre o Murdoch e o Google é saudável, quem sabe daí  possa surgir um modelo viável de monetarização. Mas, honestamente, não acredito nos profetas do apocalipse que pregam o fim da mídia, fim do conteúdo pago, fim dos especialistas. Querem um exemplo? Comprei o último livro do Rubem Fonseca para ler nas férias, foi em papel, mas pagaria para ler ele no Kindle. E no fim de semana vou descer a serra em direção a Santa ouvindo o bom e velho rádio, inventado em 1896.


[]s
Jack DelaVega

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

E quando o líder erra? (Re-edição)


Este final de semana estive no sudoeste da Irlanda, mais precisamente no condado de Kerry - um lugar muito bonito, recomendo para qualquer um visitando esses lados. Estive lá fazendo um curso avançado de montanhismo, que entre outras coisas ensinava a navegar nas montanhas quando a visibilidade está prejudicada - por exemplo por causa de nuvens, tempestades (chuva ou neve) ou simplesmente porque está escuro. Uma coisa é você se locomover quando enxerga onde está indo, quando existem pontos de referência. Outra coisa bem diferente é quando não há distinção sobre o que está ao seu redor.

Passamos então a tarde de sábado treinando técnicas bastante simples, que envolvem basicamente o uso de uma bússola e um mapa. Qualquer escoteiro conhece essas técnicas, mas é outra coisa aplicar elas em uma região que você não conhece e com realmente pouca visibilidade. Ainda mais quando você tem um grupo dependendo de você. A verdadeira prova de fogo viria à noite - aí sim teríamos que aplicar o que havíamos aprendido.

Não há melhor lugar no mundo para um treinamento desse tipo. O tempo na Irlanda já é chuvoso, como muita gente sabe. Nas montanhas do condado de Kerry então, chove quase todos os dias do ano. Nesse sábado estava chovendo muito, nuvens baixas. Quando a noite caiu, era impossível enxergar um palmo à frente do nariz sem as lanternas. E mesmo com as lanternas, a sensação é de não ter noção nenhuma de para onde você está indo. Depois da "janta", os instrutores dividiram o grupo em duplas e cada dupla deveria liderar o restante do grupo até um determinado local especificado no mapa. Tudo que sabíamos era onde estávamos inicialmente e onde havíamos estacionado os carros. "Cabe a vocês nos tirarem dessa montanha em segurança", definiu um dos instrutores.

A primeira dupla de líderes seguiu então buscando uma junção em um riacho que descia de uma das montanhas. Um dos integrantes da dupla era um cara aparentemente com bastante experiência, então ele rapidamente fez os cálculos, definiu uma rota e pediu para que seguíssemos ele. Não era a rota que eu faria, mas resolvi não intervir - eu confiava que ele nos levaria até o nosso destino corretamente. Depois de 40 minutos zanzando na chuva e no escuro ao redor de um riacho, decidimos que aquela ali era a junção que estávamos procurando no mapa - embora eu tenha certeza que a maioria resolveu acatar a decisão mais por cansaço do que propriamente por convicção. Era chegada a vez da minha dupla então. Tínhamos que levar o grupo daquele ponto até um pequeno lago mais ou menos 2km à nossa direita, iniciando uma meia-volta que completaríamos (com sorte) em poucas horas até nossos aguardados carros.

A minha dupla era uma menina de 17 anos que não tinha noção do que tinha que fazer, e estava cansada demais para ajudar de alguma forma. Ela me pediu para fazer os cálculos, e eu prontamente atendi. Mas aí é aquela coisa. Como eu lidero um grupo de pessoas de um ponto ao outro quando não tenho certeza de onde estou e nem enxergo para onde quero ir? Parece uma situação familiar para você? De qualquer maneira, eu tinha que tentar - estava frio, chovia forte e todos estavam ansiosos para encerrarmos aquela brincadeira. Fiz os cálculos com base no que eu sabia, defini uma rota e compartilhei com o grupo. Ninguém deu uma palavra. Todos concordaram prontamente, o que me preocupou. Ninguém estava nem aí na verdade, estavam cansados, e o que eu decidisse seria a lei - o que é sempre muito ruim para um líder. Os instrutores apenas nos olhavam.

Seguimos em frente com nossas lanternas, buscando a direção que a bússola indicava. E depois de 20 minutos, 30 minutos, 40 minutos caminhando, nada do lago chegar. Estava claro que estávamos na rota errada. Resolvi parar e consultar o grupo, mas todos me encaravam com enorme cinismo. Ninguém mais fazia seus próprios cálculos e portanto não tinham informação para debater. Me olhavam como quem diz: "estamos perdidos e a culpa é sua". Eu tinha perdido a confiança do meu grupo. Eventualmente, depois de andar em volta por algum tempo, encontramos o tal do lago. Aparentemente havíamos nos desviado alguns graus para a direita, mas aquilo foi suficiente para nos distanciar completamente - no escuro o resultado é ainda pior. Mesmo depois de chegarmos aos tão aguardados carros, o grupo ainda me olhava cabreiro.

E aí, e quando o líder erra? O que você faz? Você fica cabreiro e cínico, fechando-se na sua concha, ou toma a iniciativa e tenta ajudar? É sempre mais fácil colocar a culpa no líder, certo? Pense sobre isso. Um dia irá acontecer com você.

Reggie, the Engineer (João Reginatto).
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Murdoch: Você Está Louco?

Murdoch, CEO da News Corporation (o segundo maior império da mídia mundial) e o 132o homem mais rico do mundo quer fechar a internet para o Google - bem, ao menos parte dela.

Se você não vem acompanhando o assunto, deixe-me fazer um rápido resumo. News Corporation, tem força. Muita força. Fazem parte do conglomerado o canal Fox, as operadores de TV por assinatura SKY e DirectTV, o jornal New York Post, o site de relacionamento My Space e o Dow Jones (editor do Wall Street Journal), entre outros. Murdoch é seu CEO e ultimamente vem acusando o Google e outros sites de busca de "roubar" informações e publicá-las de graça. Seu argumento é o seguinte: milhões de dólares são gastos diariamente para se conseguir gerar bom conteúdo. Sem pagar um tostão, o Google (usado como o grande inimigo por motivos óbvios) vai lá e distribui esse conteúdo de graça, ganhando bilhões de dólares em publicidade em cima do que não fez. Isso só faz com que o Google fique cada vez mais rico e a operação de geração de bom conteúdo se torne cada vez mais inviável. Murdoch quer dar um fim nesse caminho para o precipício antes que seja tarde demais.

A ideia então do velho lobo, que pode ser tudo exceto burro, é fechar o conteúdo, tornando-o pago. Mas para não perder os leitores on-line, ciente que a grande maioria dos jovens classe A e B atualmente se atualiza em sites de relacionamento e afins, faria um acordo de exclusividade de compartilhamento de conteúdo com o Bing, o site de busca da Microsoft, que pagaria por isso mas também conseguiria dinheiro por ter notícias com bom conteúdo e ambos ganhariam com isso.

Quando li essa loucura tive a reação que talvez você esteja tendo agora: "Isso é ridículo. Não se consegue parar a Internet. Se ele acha isso injusto, então que invente um meio de ser lucrativo nesse novo mundo, utilizando os cliques que vêm do Google e de outros sites para ganhar dinheiro e remunerar seus excelentes repórteres e jornalistas".

Mas decidi realizar um estudo mais aprofundado sobre a ideia dele em alguns sites (tudo on-line, é claro) e finalmente achei uma entrevista dele muito interessante no YouTube (novamente, on-line e de graça).

Alguns argumentos que usa são fracos, mas alguns pontos de Murdoch são inegavelmente verdadeiros e lógicos. A base da teoria dele é que seja qual for a quantia de cliques que ele consiga reverter em dinheiro não será suficiente para gerar um conteúdo de qualidade, principalmente em escala global. Crescer então seria impossível. E é com base nessa presunção que ele quer fazer isso.

Ora, por um lado, tenho um forte sentimento de que ele está nadando contra a maré e deveria se atualizar. Por outro lado, tenho a sensação que o que ele quer no fim das contas é um quinhão maior do que o Google paga pelo conteúdo que sua própria empresa gera. Para a gente aqui da Tribo que já usou o Google tanto como ferramenta de trazer pessoas para o site (pagando publicidade) como para ganhar dinheiro com o clique em publicidade em nosso site, fica claro que a balança é completamente desproporcional. Cada clique que leva alguém ao nosso site tem que ser pago por muitos outros cliques para outros sites.

Embora ainda não concordando com o magnata da mídia, fiquei em dúvida. Será que tendo o pensamento "para frente" não estaria simplesmente ignorando um novo modelo de negócios que remunera melhor o conteúdo on-line e que ainda poderia dar início ao fim do monopólio que hoje o Google possui relativo à informação? Todo o monopólio, por melhor que seja gerenciado, é horrível para o mercado livre e o capitalismo. A ausência de concorrentes a altura mais cedo ou mais tarde dá à empresa o direito de ter ganhos abusivos e quem perde é sempre o mercado sem si.

O que sei é que o simples fato da ideia de Murdoch ter causado uma grande comoção em torno do assunto é um sinal que a crucificação dele não é algo tão direto e simples.

Há muitas empresas que possuem em seu framework de avaliação um item específico para ideias não-populares, bonificando aquela pessoa que não tem medo de criar e expressar ações não-populares, ou seja, ações que à primeira-vista são consideradas idiotas pelo simples fato de não serem o padrão, o normal. E a razão dessas empresas possuírem isso é simples: se ninguém pensar fora da caixa, a empresa não sai do status-quo e estará fadada a morrer. Ter a coragem de expressar a ideia não-popular realmente deve ser recompensada. Mas mais recompensado ainda deve ser a pessoa que ouve com cuidado a ideia não-popular e não a descarta antes de uma análise criteriosa. Ricardo Semler tem um programa "Você está Louco" só para incentivar pensamentos fora da caixa. Trata-se de uma reunião que só aceita ideias tão fora do comum que causem uma reação do tipo "Cara, tu tá louco!?". Segundo ele, realmente a maioria das ideias são apenas loucuras sem sentido. Mas algumas poucas já foram pensamentos excelentes que se transformaram em lucrativas açoes fora-da-caixa.

Quando alguém da sua empresa sugerir uma ideia louca, lembre-se disso. Pode ser uma completa asneira. Mas também pode ser um Murdoch, que, no mínimo, deve lhe fazer pensar, analisar e lhe dar o benefício da dúvida.

Vida longa ao Murdoch.

Dr. Zambol

A Tribo dos... Vampiros


Não tem como negar, eles estão por todo o lado. Os pôsteres e outdoors de Edward do Crepúsculo ou do Vampiro Bill de True Blood são a afirmação de que os sugadores de sangue voltaram com tudo. Nada de corpos bronzeados, pele pálida é a nova moda do verão de 2010. E esse fato tem impacto direto no mundo do trabalho. De acordo com o Gartner Group em 2014 a população de vampiros responderá por 3,5% do PIP produzido no mundo, não é pouco para quem só trabalha a noite. 

Pois bem, meu texto de hoje é direcionado a você, jovem vampiro em início de carreira, ainda indeciso sobre o que fazer da vida e que está buscando o seu lugar ao sol, ou melhor à sombra. Se para os lobisomens o mercado não é lá essas coisas, uma vez que as poucas profissões oferecidas são como guia de cegos e farejador da polícia, para os vampiros o quadro é muito mais atraente. No passado, as opções de carreira para um bom vampiro restringiam-se a advogado, político ou fiscal da receita federal, mas hoje em dia as coisas mudaram. Internet e trabalho remoto facilitaram as coisas, abrindo um leque de possibilidades tais como as abaixo descritas:

- Analista de Suporte Off-Shore: Cada vez mais o Brasil se consolida como destino de empresas multinacionais para desenvolvimento e suporte de sistemas. O problema é que muitas dessas operações trabalham com países que tem fusos horários distantes do nosso como China, Japão e Austrália. É um verdadeiro desafio encontrar gente capacitada disposta a virar noite, mas isso não é problema para os mortos-vivos. E, convenhamos, o pessoal de TI já tem a pele tão branca por natureza que vai ser difícil diferenciar uns dos outros.

- Vendedor: Talvez um dos poderes mais interessantes dos vampiros seja a hipnose. Normalmente, vampiros conseguem hipnotizar a maioria das pessoas, com exceção daquelas que mais querem, como as mocinhas ou os namorados das mesmas. Agora imagine essa qualidade utilizada para vender. Precisa de alguém para desencalhar aquele DVD do Sidney Magal ao Vivo? Isso não é problema, esses sujeitos são capazes de vender vestidinhos "Modelito Geisy" até para a sua avó.

- Operador de Call-CenterEsse é certamente um dos profissionais mais odiados do mundo do trabalho. Muitas pessoas de fato preferem encarar um vampiro do que ligar para o 0800 do seu cartão de crédito. Agora, imagine juntar as duas coisas. Vampiros, uma raça acostumada a milênios de ódio e incompreensão da humanidade, tiram de letra a xingação dos clientes de call-centers, afinal, eles sempre mantém o sangue-frio.

- Moto-boy: Tudo bem, não é o melhor emprego do mundo, mas paga as contas. Assumindo que todo o vampiro voa ou pelo menos se desloca tão rápido quando The Flash, essa é uma opção natural. Imagine um serviço de delivery noturno operado por desmortos. O slogan seria algo assim: Sua pizza entregue em menos de 15 minutos ou o dinheiro de volta (obs: Não servimos sabores alho e óleo).

Concordo que ainda existe muito preconceito, confesso, por exemplo, que não contrataria um vampiro para baby-sitter. Outras profissões como barbeiro ou pedicure também são consideradas de risco para as criaturas da noite, mas o cenário é extremamente positivo. Conhecendo o nosso governo, não se surpreenda se logo, logo for criado um sistema de quotas para profissionais hematófagos com foto-sensibilidade.

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Jack DelaVega