quinta-feira, 16 de junho de 2011
Iceberg
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Reflexos do ambiente cultural na liderança
Passam as gerações, as definições de certo e errado sofrem suas mutações naturais e então descobrimos que liderança é muito mais do que um conceito tão simplista como este, e até mesmo, que muitas vezes o líder nem sempre é aquele que melhor executa uma tarefa, mas sim aquele que sabe envolver a equipe, para que todos dêem o melhor de si.
O pensamento das novas gerações muda, as definições de certo e errado sofrem suas mutações naturais, mas as raízes do ambiente cultural o qual você cresceu e se desenvolveu permanecerão na geração passada. Valores que nortearam sua educação e influenciaram na formação de sua personalidade serão refletidos não só através de suas atitudes e palavras, mas também em habilidades e dificuldades que você terá com coisas e pessoas. Estamos constantemente equacionando novos e antigos valores.
Dentro deste assunto, faço questão de abordar o tema liderança, pois é um dos poucos momentos de nossa vida em que é possível assumir, oficialmente, o papel de Retransmissor de Valores (fora este, creio que só caberia dar o devido destaque aos pais e professores). O peso
da responsabilidade deste papel se torna ainda maior quando se lidera pessoas que tiveram ambientes culturais diferentes do seu, ou mesmo se seus liderados estiverem em início de carreira, o que o tornará diretamente responsável por sua formação como profissional.
Por este motivo, todo líder deve sempre passar por uma profunda fase de aceitação de suas dificuldades, saber identificar quais delas podem ser advindas de um processo cultural, pois talvez o foco neste caso não deva ser a correção de um defeito, talvez essas dificuldades nunca consigam nem ser corrigidas. É questão de ter coragem para falar sobre o que está além dos treinamentos de liderança. Falar sobre personalidade, entendendo que liderança não é sinônimo de super heroísmo e que cultura é um fator que só se compreende quando se vivencia.
Beatriz Carvalho
terça-feira, 31 de maio de 2011
Entrevista com Sidnei Oliveira
Conversei essa semana com o Sidnei Oliveira. Para quem não conhece, o Sidnei é Consultor, autor e palestrante, expert em Geração Y e desenvolvimento de Jovens Talentos. Formado em Marketing e Administração de Empresas, autor de vários livros sobre Liderança e Administração, além de consultor, atuando em empresas como a Vale, Petrobras, Gerdau, Lojas Renner, TAM, entre outras. Ele é provavelmente uma das pessoas que mais entende de Geração Y do país. Segue abaixo a primeira parte da nossa entrevista. Vale a pena não apenas para os integrantes dessa nova geração, mas também para os que trabalham e convivem com eles.
Em seu último livro, você levanta questão: Ser Potencial ou Talento? Quais são as competências e comportamentos daqueles que efetivamente transformam seu potencial em talento?
Paciência e Estratégia - o jovem deseja e pede feedback de todas as suas ações, contudo esta busca de reconhecimento constante, afeta seu desempenho e seu foco nos objetivos, principalmente quando ele desenvolve com impaciência.
Foco em Inovação - buscar a mudança é uma característica desta geração e um de seus principais instrumentos são os questionamentos, conduto se isso ocorre sem uma estratégia na forma de apresentar suas perguntas, é possível que os questionamentos sejam confundidos com confrontamentos, que bloqueiam qualquer possibilidade de mudanças e inovações.
Resiliência - muitas vezes considerada destrutiva nas organizações, uma vez que coloca dúvidas sobre modelos e padrões estabelecidos. Esta expectativa precisa ser entendida, não como uma liberação insana e irresponsável, mas sim, como uma busca de flexibilização, cuja melhor manifestação é a informalidade.
Foco em Resultados - esta geração tem foco em resultados desde a primeira vez que aprendeu a brincar com videogames. Os jovens gostam de saber seus resultados e gostam de compartilhar. A armadilha se instala quando a competitividade destrói os valores e os resultados são alcançados no melhor estilo CQC (custe o que custar).
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Quando a ambição atropela a aprendizagem

Com nossa necessidade constante de autoafirmação, nos acostumamos a levantar certas bandeiras e por elas lutar até o fim. Competimos para vencer, questionamos para transformar, lutamos porque...porque gostamos de lutar. Mas quando só se enxerga o destino, a trajetória parece insignificante e os meios para chegar até lá passam a não ter mais critérios. Nesta hora, ambição e ética entram em conflito e os princípios os quais você realmente luta, começam a aparecer.
A ambição é uma faca de dois gumes e precisamos saber direcioná-la para que se torne um combustível e não um veneno. Falar de ambição sem falar de ética é como começar a montar a composição deste veneno e estar a um passo de viver sob a lei da selva, lutando diariamente pela sobrevivência e não pela evolução da espécie.
Cada etapa de nossa jornada profissional virá acompanhada de obstáculos e aprendizagens. Tentar encurtar o caminho ou pular alguma dessas etapas, possivelmente nos livrará de certas dores de cabeça, mas também deixaremos de aprender. E acredite, uma hora esta informação faltante baterá à nossa porta pedindo satisfações. Por isso, é preciso aproveitar a jornada e deixar que as oportunidades apareçam quando estivermos prontos.
Quem disse que precisamos enxergar toda escada? Subamos o primeiro degrau com fé e ao topo saberemos que, se fosse possível, viveríamos tudo novamente.
Beatriz Carvalho
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Recursos Vitais
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Eric Ries e o modelo Lean para Startups
O papo do Eric é consistente com o que ele vêm falando há bastante tempo em termos de como operar uma Startup, e de certa forma é um ensaio do livro que ele está escrevendo e que tem tudo para ser um sucesso em 2011. Vou resumir aqui o bate-papo que tivemos com ele pois trata-se de uma bela introdução ao conceito de Lean Startup e uma chamada urgente a repensarmos a maneira como trabalhamos na área de tecnologia.
Eric começou interagindo com os presentes para chegar a uma definição sobre o conceito de Startup. Ele perguntou quantos ali estavam envolvidos com uma Startup e mais ou menos 90% das pessoas levantou a mão. O resultado não o surpreendeu, segundo ele é assim quando ele vai à Índia, Brasil, China, Japão, Israel, Reino Unido, França ou o que seja. O que o surpreende é que tanta gente, apesar de diferenças culturais, de língua, de formação, saiba o que o termo Startup significa. Algo não cheira bem nisso. Então ele deu a sua definição sobre Startup: uma instituição humana projetada para criar algo novo em um ambiente de extrema incerteza. Nada a ver com indústria alguma, com ramo de atividade, com perfil de investimento, com capacidade de escala ou qualquer outro preconceito que normalmente temos.
Eric então fez um paralelo muito interessante entre uma de suas experiências como empreendedor, o mundo corporativo "padrão" que tanto criticamos aqui na Tribo, e o modelo Lean aplicado a Startups que ele defende. Ele discorreu sobre uma empresa que ele ajudou a fundar e desenvolver alguns anos atrás. Na época, ele e seus sócios passaram 9 meses desenvolvendo um software que traria grande inovação para o mercado de Instant Messaging. O que aconteceu em seguida é ponto batido e acontece com 8 em 10 empreendimentos: ao experimentar o produto no mercado, se percebeu que os "clientes" não tinham o menor interesse naquilo. Ele relatou a imensa frustração que tomou conta do empreendimento, e a sua relutância em aceitar que tinha, na prática, jogado 9 meses de sua vida no lixo. Começou a estudar o que tinha acontecido e percebeu que o único ponto positivo que poderia tirar daqueles 9 meses era o fato de que finalmente tinha aprendido algo sobre o mercado e seus potenciais clientes. Eric faz então um paralelo com o mundo corporativo. O que acontece quando alguém dentro de uma empresa é responsável por um projeto que recebe um investimento, executa durante meses a fio, e no final reporta que tudo deu errado mas pelo menos várias lições foram aprendidas? O que acontece quando alguém falha em planejar alguma coisa? O que acontece com o funcionário que falha em executar determinado planejamento? São todas justificativas plausíveis para uma demissão. Mas e o que acontece com quem falha em aprender? No contexto corporativo padrão, existe alguma métrica que diga ao gestor quem aprende e quem falha em aprender? A resposta infelizmente é negativa na maioria dos casos.
Em outras palavras, não fomentamos o aprendizado no mundo corporativo. O mundo corporativo ainda está em sua grande maioria no século passado. O modelo de gestão ainda é o baseado no trabalho de Frederick Taylor. O foco está em planejar e executar. Na área de tecnologia, mais especificamente, usamos os mesmos conceitos. O modelo em cascata ainda é o "normal" em grande parte das oganizações. O problema com esses modelos ultrapassados, como a experiência de Eric comprova, é que ele nos engana. Durante aqueles 9 meses, Eric e sua equipe estavam extremamente contentes com o progresso que faziam, pois o plano dizia que eles estavam dentro do orçamento e dentro do prazo. O problema é que eles não aprendiam nada durante o processo, não havia validação do que tinha sido planejado. Era um avião voando em direção a uma montanha, e todos os sensores indicavam uma situação sob controle.
O modelo de Lean Startups vem então para quebrar esse paradigma. Durante o bate-papo Eric se perguntou: e se em minha empresa nós tivéssemos lançado o produto em 6 meses ao invés de 9. Será que teríamos aprendido as mesmas lições? Provavelmente sim, e teria economizado 3 meses. E se tivesse reduzido a funcionalidade do produto e lançado em 3 meses? Ainda assim provavelmente teria aprendido as mesmas lições. Mas e se ele quebrasse totalmente o paradigma e lançasse um protótipo, um castelo de cartas, baseado em 1 dia de desenvolvimento? Ele teria sido capaz de aprender algo sobre seu mercado e seus clientes? Muito provavelmente sim. Por que não o fazê-lo então? O modelo Lean, originalmente uma evolução aos processos Taylorianos da área da manufatura, bate exatamente nessa tecla: diminuir o desperdício, aprender, iterar continuamente.
Eric então finalizou voltando à idéia de Startups. Na visão dele, uma Startup deveria trabalhar de maneira Lean, com o objetivo de experimentar continuamente no contexto de um problema que não é totalmente conhecido. Com o passar do tempo, provavelmente o conhecimento sobre o domínio do problema se tornará muito maior e com isso as chances de oferecer uma solução adequada aumentarão (e por consequência será maior a chance de se estabelecer um negócio viável). Se não for o caso, significa que não há um negócio naquele exato contexto - mas pelo menos você será capaz de perceber isso rapidamente e partir em frente talvez com uma proposta diferente.
Usando ou não o modelo Lean aplicado a Startups, não há como discutir que há vários pontos coerentes na proposta de Eric. Várias potenciais melhorias de modelo e de incentivo comportamental aplicáveis ao mundo corporativo também ficam claras.
Não fique para trás. Quem deixa de aprender está no século passado.
Reggie, the Engineer (João Reginatto).
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