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Guia Especial - Gestão

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Guia Especial - Planejamento de Carreira

Tudo que você precisa saber para fazer um bom planejamento de carreira e atingir os seus objetivos pessoais e profissionais

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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Doze Competências Gerenciais


Ok, vocês já sabem que eu adoro listas, e essa é mais uma delas. Tirei do livro Work Happy - What Great Bosses Know(Trabalhe Feliz - O Que Grandes Chefes Sabem), recém lançado lá fora e ainda sem tradução nacional. Mesmo assim, recomendo fortemente para aqueles que já desempenham posição de liderança ou que pretendem seguir esse caminho.

A lista descreve as doze competências primárias que um Gestor deve ter, não necessariamente em ordem de prioridade. É importante lembrar que dificilmente alguém é expert em todos os itens, pense, porém, nos pontos fortes dos bons chefe que teve, eles certamente estarão listados lá. O mesmo vale para os chefes que ficaram abaixo da média, aposto que eles também desempenhavam bem alguns dos quesitos citados.

Outro ponto importante: Ainda que se fale bastante em talento nato, em pessoas que já nascem com o DNA da liderança, acredito que grande parte do trabalho depende de competências que podem ser aprendidas e desenvolvidas. Nesse sentido, uma lista pode ser uma grande ferramenta de desenvolvimento de carreira. Mas vamos à ela:

1. Manter e Elevar a qualidade do trabalho
2. Desenvolver e Melhorar processos e sistemas
3. Prover coaching para melhoria de desempenho dos funcionários
4. Comunicar efetivamente dentro da Organização
5. Colaborar ativamente com outros Departamentos
6. Resolver Conflitos
7. Motivar a Equipe
8. Liderar com Inteligência Emocional
9. Construir Equipes de Alto Desempenho
10. Gerenciar Mudanças
11. Gerenciar Tempo e Prioridades
12. Trabalhar com Ética e Integridade

A ideia é que você analise os itens com cuidado, fazendo uma auto-avaliação para cada tópico, listando o que faz bem e o que precisa desenvolver e melhorar. Certamente não é a solução para todos os problemas, mas é um bom começo. Esse framework pode ajudar tanto profissionais experientes quanto marinheiros de primeira viagem a definir uma lista de gaps e montar um plano de ação para atacá-los.

[]s
Juarez Poletto

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Consumerização e a Queda das Barreiras


Tudo começou com a popularização dos telefones celulares. Claro que as pessoas já estavam acostumadas a levar trabalho para casa antes disso, mas, com o celular ficou infinitamente mais fácil que o trabalho as encontrasse depois do expediente. O próximo passo foram os notebooks, completando o conceito que hoje chamamos de mobilidade. A partir daí se tornou efetivamente possível trabalhar onde se quisesse, quando se quisesse. Essa foi a queda da primeira grande barreira entre trabalho e vida pessoal. Até aí nada de novo, o interessante, porém, foi o que veio a seguir.

Recobrando o espaço tomado pelo trabalho, a vida pessoal começou a invadir o escritório. Primeiro foram as redes sociais, rompendo as barreiras dos firewalls empresariais, deixando gerentes de cabelo em pé com a perda de produtividade e possibilidade de vazamento de informações confidenciais. Apesar do alarmismo, o mundo não acabou e as pessoas continuaram produzindo. Mas nada prepararia as velhas empresas para o movimento que viria a seguir: A Consumerização.

Agora, os funcionários, felizes por levar seu trabalho para casa, pela conquista da jornada flexível e pelo movimento work anywhere, everywhere queriam levar seus dispositivos queridos para dentro da empresa. Por que usar o velho e feio Blackberry que a empresa me oferece se posso me conectar via meu iPhone 4s? E se meu notebook pessoal é cinco vezes mais rápido do que eu tenho no escritório, faz todo sentido que eu utilize ele para o trabalho também. Se por um lado as empresas ganham, por deixaram de arcar com custos de hardware e suporte para esses dispositivos, por outro, os departamentos de TI deixam de dormir, pensando nos problemas de segurança causados por essa moda. Isso sem contar o que o RH vai dizer quando ver o que a CLT fala sobre isso.

Meu propósito aqui não é fazer juízo de valor, isso é uma simples constatação. Esse é um movimento sem volta, resistir é inútil. E não se iluda de que isso é uma moda que não chega ao Brasil, pois já chegou. A pergunta do milhão é: Como reagir ao fato?

Para as empresas, resolvidas as questões (nada fáceis) de segurança e legislação, o cenário é extremamente positivo. Tais práticas servirão como diferenciação para atração de talentos para aquelas que souberem lidar com isso. Em pouco tempo a consumerização vai se tornar apenas mais um dos benefícios não tangíveis que empresas oferecem as seus funcionários e a vida segue até o próximo movimento de disruptura organizacional.

O desafio maior, porém, está do lado dos trabalhadores. Com a barreira entre vida profissional e trabalho se tornando cada dia mais difusa, torna-se complexa a separação entre um e outro. Como lidar com o stress gerado por essa mistura? A resposta está justamente na solução encontradas por todos profissionais fora de série: Buscar a mesma satisfação no trabalho que você procura na vida pessoal. A única saída para o sucesso é, e continua sendo, viver suas paixões em ambas as esferas.

[]s
Juarez Poletto

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Guia Especial - Planejamento de Carreira

Fim de férias, volta às aulas, nada mais oportuno então do que retomar os planos feitos na virada do ano, buscar aquela promoção, trocar de emprego, desengavetar o sonho de abrir uma empresa.  Compilamos aqui alguns dos nossos melhores textos para ajudar você a acelerar sua carreira em 2012:

Como Montar um Plano de Carreira:
- Seu Projeto de Carreira (Parte 1)
- Seu Projeto de Carreira (Parte 2)
- Como Planejar Sua Carreira (Vídeo)

Dicas Valiosas de Carreira:
- Esqueça o que te disseram
- Molho Especial
- A importância de assumir riscos na Carreira
- Cinco Regras de Ouro na Carreira
- Falando Francamente

Ferramentas:
- Produtividade Pessoal
- Coaching
- Potencial, Desempenho e Carreira
- Como ter um bom desempenho profissional
- Networking
- Recolocação (Parte1, Parte 2, Parte 3)

Vídeos e PodCasts:
- Conversa com Jack Delavega - Salário
- Conversa com Jack Delavega - SOS Estagiário
- Sete Minutos que pode mudar a sua carreira
- Motivação 3.0

Um grande Abraço da Tribo do Mouse

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Conversa com DelaVega - Salário

Pessoal:

Esse é o podcast da semana com dicas de carreira feito em parceria com o pessoal do Baguete. Nesse mini-episódio eu explico a diferença entre qualificação e entrega de valor à empresa, e como isso está relacionado com salário.


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Jack DelaVega

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Conversa com Jack Delavega - SOS Estagiário

Pessoal:

Esse é o primeiro post de uma série de áudio-dicas que eu montei com a turma do Baguete. O episódio de hoje tem dicas para um estagiário em apuros.



[]s
Jack DelaVega

sábado, 9 de julho de 2011

Sonhos, Desejos e Reclamação

Pessoal,

Achei esse vídeo sensacional e tem tudo a ver com os valores que falamos aqui na Tribo do Mouse. São 11 minutos, mas vale muito a pena.




Dr. Zambol
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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Esqueça o que te disseram


- Só trabalho duro não ganha jogo: Isso é o esperado de todos. Comprometimento, dedicação é premissa. Fazer “algo mais” significa fazer algo diferente e não simplesmente fazer mais do mesmo.

- Você é dono da sua carreira: Não é seu chefe, não é a sua empresa, não é seu pai. Descubra aonde quer chegar, trace um plano e arregace as mangas.

- Esteja preparado sempre: Oportunidades só aparecem para os que estão preparados. Ponto.

- Empresas não são instituições filantrópicas: Pense! Por que alguém vai pagar mais para você fazer a mesma coisa? Você vale o valor que entrega para empresa, lembre-se disso ao tomar qualquer decisão relacionada a carreira.

- Desafie o Status Quo: Questione, questione e questione. Não aceite respostas do tipo: “Já fazemos assim faz tempo” ou “Ah, essa empresa nunca vai mudar”.

- Descubra o que realmente gosta de fazer e arranje um jeito de ganhar dinheiro com isso: Essa frase, dita na década de trinta por Mae West, atriz americana famosa por suas citações, nunca fez tanto sentido.

- Assuma Riscos: Em um ambiente de alta performance, onde todos são extremamente qualificados e dispostos a fazer o melhor, capacidade de assumir riscos pode ser um grande diferencial na sua carreira.

- Não se leve tanto a sério: Ria de si mesmo, e um pouco de humildade nunca fez mal a ninguém.

- Viva seus sonhos: Sua carreira é uma ferramenta, um caminho para realização dos seus sonhos, e a empresa ou empreendimento para o qual trabalha, apenas parte disso.

[]s
Juarez Poletto

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Iceberg


- Érica, Érica...
Silêncio. Ela parecia que não estava lá, olhos fechados, concentrada como um lutador de MMA prestes a entrar no ringue, o tempo passava devagar naquele momento.
- Vamos recomeçar, trinta segundos e aí é tudo com você.

Érica pulou da cama assustada, o despertador teimava em tocar incessavelmente. Olhou a hora só para constatar o que já imaginava, estava atrasada, novamente. Essa seria uma semana crucial para sua carreira. Precisava finalizar a venda para um dos seus novos clientes. Uma conta difícil, mas, fundamental para o atingimento das metas do ano. Chegando à sua mesa encontrou o chefe saindo:
- O cliente não gostou da nossa proposta, marcou uma reunião para amanhã para discutirmos o assunto.
- Hmm, o que foi dessa vez?
- Não está convencido com a nossa solução, acha que o que eles tem hoje já atende as necessidades deles.
- Ok, vou trabalhar nisso.
- Ah, outra coisa.
- Sim.
- Você ainda está me devendo uma apresentação para a festa de aniversário da empresa. Ainda falta um candidato para o “Show de Talentos”.
- Tudo bem, pode deixar que eu vejo isso.
Maldita hora que havia se voluntariado para organizar o tal Show de Talentos.

- Frio na barriga?
- Está brincando? Parece que eu engoli um iceberg.
- É sempre assim? Quer dizer, vai ser sempre assim? Essa adrenalina, o nervosismo...
- Com o tempo você acostuma, fica uma pouco mais fácil, mas o frio na barriga, esse espero que você nunca perca.
- Sério?
- Esse é sinal que você está fazendo algo fora da zona de conforto. Que está crescendo.
Agora volta lá e mostra pra eles porque eu contratei você.

Quinta-feira no fim de tarde e nenhum candidato a fechar a apresentação na festa da empresa, menos de vinte e quatro horas para o evento. Todas suas opções falharam. Todas, menos uma, mas preferia não pensar nessa hipótese.

Depois de quinze minutos de argumentação ela sumarizou:
- O Sr. entende agora por que a solução atual de vocês não atende? A sua empresa está perdendo dinheiro e competitividade.
O executivo a olhou nos olhos
- Estou convencido, negócio fechado.

A cortina se abriu e ela viu o auditório lotado. As pernas tremeram, achou que iria cair. Segurou forte o microfone procurando apoio. Então, teve uma experiência quase que extracorpórea. Viu-se como de um camera, sobrevoando o auditório lotado até que encontrou-se no meio do palco novamente, encarando a multidão de colegas. As pupilas dilataram-se, abriu a garganta e soltou a voz. Imediatamente o medo passou. Estava em casa.

[]s
Jack DelaVega

terça-feira, 31 de maio de 2011

Entrevista com Sidnei Oliveira

Pessoal:

Conversei essa semana com o Sidnei Oliveira. Para quem não conhece, o Sidnei é Consultor, autor e palestrante, expert em Geração Y e desenvolvimento de Jovens Talentos. Formado em Marketing e Administração de Empresas, autor de vários livros sobre Liderança e Administração, além de consultor, atuando em empresas como a Vale, Petrobras, Gerdau, Lojas Renner, TAM, entre outras. Ele é provavelmente uma das pessoas que mais entende de Geração Y do país. Segue abaixo a primeira parte da nossa entrevista. Vale a pena não apenas para os integrantes dessa nova geração, mas também para os que trabalham e convivem com eles.

Muito se fala das características da geração Y, tais como: expectativas altas com relação à carreira, baixa identificação com a própria empresa. É isso mesmo ou existe certa falta de informação sobre esse grupo?
Existem muitos estereótipos que são atribuídos aos jovens da geração Y e isso sempre gera distorções. Vivemos um tempo de redefinições nos modelos das relações profissionais e é justamente esta geração que encabeça estas transformações. A carreira tradicional, baseada em uma escalada vertical já não é mais uma realidade fácil de se encontrar nas organizações e evidentemente a carreira horizontal, baseada em projetos e desafios, ganha espaço entre os profissionais.
Nesta hora é observada uma alta expectativa por desafios que ajudem o jovem a se desenvolver e um evidente foco em sua própria carreira e não mais nas diretrizes das empresas.

Existem diferenças entre a Geração Y nos Estados Unidos e no Brasil? Quais?
Em um mundo globalizado e extremamente conectado é cada vez mais difícil identificar diferenças significativas entre os jovens nos diferentes países e culturas. Os movimentos que surgem em um lugar, rapidamente são disseminados em outros através da internet. As diferenças ficam restritas essencialmente ao padrão econômico que possibilita acesso as inovações e ao modelo educacional que ocorre com maior velocidade nos Estados Unidos do que no Brasil. 

Um artigo recente do New York Times menciona que o maior problema para encontrar jovens programadores no Vale do Silício é que eles não querem trabalhar para o Mark Zuckerberg, eles querem ser o novo Mark Zuckerberg. Você acredita que essa nova geração é mais empreendedora?
Sim. Ser empreendedor é parte das expectativas de qualquer jovem. As inúmeras possibilidades e as referências de casos de sucesso como o do Facebook incentivam este processo. O que ocorre também é que, diante de um mercado profissional muito competitivo e que mantém profissionais mais veteranos e experientes disputando espaço com os jovens, empreender é uma alternativa muito interessante para qualquer profissional.

E o tal “Conflito de Gerações”? Existe mesmo? Como lidar com ele?
Infelizmente é uma circunstância inevitável. Os profissionais da Geração X, que entraram no mercado profissional há 30 anos percebem que, como o aumento da expectativa de vida, o contrato profissional precisou ser refeito e estes veteranos agora buscam manter-se produtivo por mais tempo e diante das capacidades técnicas dos jovens, vemos estes profissionais se re-qualificando em cursos e Mbas. 

A Geração Y, por outro lado, chega ao mercado de trabalho sob a forte pressão por qualificação e com praticamente nenhuma experiência profissional, mas com uma energia e sede de inovação e experiência jamais vista. Os jovens querem espaço para colocar em prática todo conhecimento que acumulam.
Este cenário é um ingrediente poderoso para o conflito, uma vez que coloca em lados opostos os interesses de cada grupo de profissionais.
As empresas já identificaram este processo e muitas já buscam reverter este processo promovendo o encontro de gerações através de workshops e oficinais de conscientização. 

A Geração que está entrando hoje no mercado de trabalho está encontrando um cenário único de pleno emprego. Como você o impacto disso no comportamento do jovem profissional?
O pleno emprego é um paradoxo, pois há vagas e há candidatos, mas não acontecem as contratações por falta de qualificação. Isso é muito incomum, pois esta é a geração mais qualificada, ou exposta a qualificação, de todos os tempos no Brasil, contudo falta justamente a qualificação tácita, que somente pode ser alcançada através da exposição aos desafios. Isso é chamado de experiência e classifico que realmente é o principal objetivo dos jovens.

Em seu último livro, você levanta questão: Ser Potencial ou Talento? Quais são as competências e comportamentos daqueles que efetivamente transformam seu potencial em talento?
Creio que existem algumas competências que o jovem precisa desenvolver com mais intensidade para ser bem sucedido em suas escolhas:

Paciência e Estratégia
 - o jovem deseja e pede feedback de todas as suas ações, contudo esta busca de reconhecimento constante, afeta seu desempenho e seu foco nos objetivos, principalmente quando ele desenvolve com impaciência.

Foco em Inovação - buscar a mudança é uma característica desta geração e um de seus principais instrumentos são os questionamentos, conduto se isso ocorre sem uma estratégia na forma de apresentar suas perguntas,  é possível que os questionamentos sejam confundidos com confrontamentos, que bloqueiam qualquer possibilidade de mudanças e inovações.

Resiliência - muitas vezes considerada destrutiva nas organizações, uma vez que coloca dúvidas sobre modelos e padrões estabelecidos. Esta expectativa precisa ser entendida, não como uma liberação insana e irresponsável, mas sim, como uma busca de flexibilização, cuja melhor manifestação é a informalidade.

Foco em Resultados 
- esta geração tem foco em resultados desde a primeira vez que aprendeu a brincar com videogames. Os jovens gostam de saber seus resultados e  gostam de compartilhar. A armadilha se instala quando a competitividade destrói os valores e os resultados são alcançados no melhor estilo CQC (custe o que custar).

Que conselho você daria para quem está se lançando agora ao mercado de trabalho?
Diria para eles que há desafios novos para cada geração de jovens que entram no mercado de trabalho. O maior desafio da Geração Y é conviver e conquistar a experiência dos jovens veteranos que dividem o mercado de trabalho com eles. Contudo é vital ser estratégico. Costumo dizer aos jovens que, mesmo no mercado de trabalho com muitos veteranos, a fila anda, mas é preciso estar na fila para usufruir disto.
Na semana que vem vamos publicar a segunda parte da entrevista. Para quem quiser conhecer mais do trabalho do Sidnei, fica a dica último livro dele, recém lançado: Série Geração Y 2 - Ser Potencial ou ser Talento - Faça por Merecer 2011.  Mais informações no site do autor.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Sete Minutos que podem Mudar a sua Carreira

Tenho lido e escrito bastante sobre motivação, em uma busca incansável para decifrar o que realmente faz diferença em nossas vidas e carreiras. A literatura atual parece convergir para alguns pontos. Daniel Pink cita no fantástico Drive uma fórmula quase simples que turbina os profissionais da nova geração: 


“Fazer o que se ama, fazê-lo bem e com vistas a um propósito maior”. 


Em uma linha parecida, Tony Hsieh conta na incrível história da criação da Zappos que o segredo do sucesso da empresa está baseado em paixão e propósito.

Mas tudo isso ainda parecia um pouco abstrato, minha cabeça analítica precisa de modelos e dados para consolidar as ideias. Parecia, pois, na semana passada encontrei um vídeo do TED que descreve exatamente isso, explicando, de maneira inequívoca, o que diferencia profissionais e empresas de sucesso do resto da multidão.

O vídeo abaixo tem dezoito minutos mas os primeiros sete já apresentam essa ideia brilhante. São sete minutos que podem efetivamente mudar sua carreira. Confira e tire a suas conclusões.




O site do autor, Simon Sinek pode ser acessado aqui. E, para quem quer saber mais, tem o livro, que já está na minha booklist, aguardem o review nas próximas semanas. 


[]s
Jack DelaVega

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Detalhes - Reedição

17/12/2010 - 21hs e 12 min.  
Ele levou o copo à boca e degustou o vinho.
- Roberto, Roberto.
Ouviu chamar seu nome, mas sua cabeça estava muito distante dali, em um sábado, mais ou menos seis meses atrás:
- Diego?
- É ele.
- Diego é o Roberto. Eu não queria incomodar você logo em um sábado à tarde, mas o fato é que estou em São Paulo e sei que você estará viajando na próxima semana. Tenho algo muito importante para tratar.
- Claro, sem problema. Pode ser daqui a uma hora? Você tem o endereço do meu apartamento?

Diego era o chefe de Roberto e CEO da empresa. Apesar de workaholic ele sabia que uma reunião de última hora durante o fim de semana não era bom sinal. 
Estava certo. 
Roberto tinha em mãos a carta de demissão e não sairia da casa do chefe sem entregá-la. Contratado poucos meses atrás para tocar a área comercial ele amargava uma sequência de números ruins. Não estava acostumado com isso. Decidiu, portanto, sair enquanto mantinha alguma dignidade.
O chefe o recebeu à porta. Mancava lentamente e deslocava-se, como de costume, com a ajuda de uma bengala. Roberto ensaiou mentalmente o discurso, mas, antes de começar, teve a sua atenção desviada. Por sobre o ombro do chefe um pássaro voava em direção à janela, apenas para desviar a rota no último segundo, evitando a colisão.
Roberto foi então direto ao ponto:
- Diego, essa é a minha carta de demissão. Pensei muito antes de vir falar com você e minha decisão é final e irrevogável.
O chefe entendeu que se tratava de um caminho sem volta, tratou então de acertar os detalhes para uma transição menos traumática.

Seis meses depois Roberto lembrava do ocorrido enquanto terminava o vinho na companhia da esposa. Desempregado desde então, ele já não tinha mais certeza se havia tomado a decisão correta.

17/12/2010 - 21hs e 12 min. 
Ele levou o copo à boca e degustou o vinho.
- Roberto, Roberto.
Sua cabeça estava muito longe dali, em um sábado à tarde, mais ou menos seis meses atrás:
- Diego? Diego é o Roberto. Não queria incomodar logo em um sábado à tarde, mas o fato é que estou em São Paulo e preciso muito falar com você.

Foi atendido por um chefe que mancava, caminhando lentamente com a ajuda da inseparável bengala. Tomou coragem, mas, quando começava a falar ouviram um forte estrondo vindo da janela. 
- Só um segundo que vou ver o que é. - Pediu Diego.
Sozinho na sala imensa, Roberto começou a contemplar a decoração. Foi quando percebeu sobre um aparador um conjunto de fotos do chefe. A primeira mostrava Diego poucos anos mais jovem, sentado sobre uma Harley, de capacete e bota. A segunda era chocante, exibia apenas os restos de uma moto destruída. A terceira, na verdade uma radiografia, continha ossos de uma perna com pelo menos quinze pinos e peças de aço. A última, que encerrava o quadro, mostrava um Diego já mais velho, montado novamente em uma Harley, sorrindo com a  bengala atravessada no guidão. 
Estava tão absorto em seus pensamentos que nem percebeu o retorno do chefe:
- Você acredita? Foi um pássaro que se chocou contra a janela, deve ter perdido o controle por causa do vento. Então, o que você tem para me dizer?
Ainda perplexo pelas imagens, Roberto olhou o chefe nos olhos:
- Na verdade não é nada tão urgente assim, queria revisar o plano de vendas com você antes da viagem. Acho que podemos falar depois seu retorno.

Terminou o copo de vinho, olhou para o palco e ouviu o chefe gritar novamente seu nome:
- Roberto, vem para cá! Pessoal, pessoal, uma salva de palmas para o nosso diretor comercial. Quero entregar um prêmio hoje, um singelo reconhecimento ao nosso diretor que depois de um começo difícil bateu todas as metas e colocou nossa empresa novamente na liderança do mercado.

[]s
Jack DelaVega

domingo, 24 de abril de 2011

A Felicidade numa Casca de Noz

Nessa páscoa passei boa parte do meu tempo em uma casa onde 6 velhinhas - todas irmãs - vivem sob um mesmo teto no município de Sobradinho.

A alegria era contagiante. Todas aposentadas, falavam (sem parar) de histórias de suas vidas - trabalho, brigas diárias entre elas, casamentos, funerais e outras diversas peripécias que passaram ao longo de suas vidas.

Todas já estão aposentadas. A mais velha tem 85 anos e sente-se muito bem ainda. Reclama muito quando as irmãs deixam cair talheres no chão.

- Mas será que é sempre assim !? Não tem força nessa mão? Mas vá prestar atenção no que faz....

A mais nova, na flor dos seus 67 anos, despeja energia fazendo tortas, costurando e fazendo doações aos mais necessitados.

Durante a minha estada lá, dois outros irmãos - os únicos irmãos-homem vivos (a familia tinha ao todo 12 irmãos, que hoje conta com 10 vivos) apareceram por lá. Também eram velhos, um com 78 e o outro com 82. E como era marca daquela familia, também eram humildes, esbanjavam alegria e tinham uma infinidade de histórias bonitas para falar de seu passado.

Uma coisa todos tinham em comum: tinham passado bastante dificuldade. Algumas vezes tinham estado perto de passar fome, outras vezes tiveram que suportar um trabalho extremamente duro a ponto de adoecer devido a ele. Mas todos, sem nenhuma exceção, sabiam porque tinham passado por aquilo e haviam encarado o trabalho como temporário - uma forma de garantir o sustento quando não tivessem mais saco ou condições de trabalhar (para os outros).

Dizer se esse pensamento (trabalho deve ser encarado como temporário - uma forma de garantir o próprio sustento e o sustento de seus filhos e dependente quando você não quiser ou não conseguir mais trabalhar) é certo ou errado é uma questão filosófica que poderia ocupar um livro inteiro e mesmo assim não chegar a conclusão nenhuma. É certo que algumas pessoas - notadamente as que já podiam parar de trabalhar hoje por essa regra (multimilionários, por exemplo) - buscam no trabalho algumas outras coisas.

Seja como for, saí com alguns pensamentos que gostaria de compartilhar com vocês:

  1. A segunda parte do pensamento que resumi em negrito ("uma forma de garantir o próprio sustento e o sustendo de seus ...") pode (e deve) ser discutida, mas não há como discutir o estado temporal do trabalho, já que a própria vida tem um início e um fim;
  2. Encarar o trabalho dessa forma torna alguns obstáculos do dia-a-dia, mesmo que sejam duros, mais fáceis de serem encarados, pois atingir um objetivo nobre como esse (sustento futuro de seus dependentes) justificaria tropeços que temos que enfrentar em nossa vida corporativa.
  3. A grande maioria das pessoas esquece-se em muitos momentos o objetivo maior do porque está trabalhando - seja esse que citei ou não. Por isso mesmo, acaba se estressando por coisas pequenas e idiotas se comparadas com o grande objetivo final.
Se não ficou clara minha mensagem, deixe-me repetir sucintamente. Se você não tem certeza absoluta daquilo que almeja levantando-se todos os dias as 7 horas da manhã para só voltar as 18, 19 horas da tarde, tire o dia de folga amanhã. É INACEITÁVEL essa situação. Entenda o que você almeja com o seu trabalho. O que você espera construir para você, seus filhos ou a comunidade após sua terminar sua contribuição como mão-de-obra ativa? O que você almeja ter quando se aposentar?

Sabendo essa resposta, tenho certeza que seu trabalho diário será mais fácil. Ao menos mais fácil depois que você corrigir o rumo e apontar as velas para a direção correta. Objetivo de vida e felicidade andam juntos - não deixe a peteca cair por preguiça de gastar algumas horas nesse exercício.

Lembre-se: o maior agente de sua felicidade é você mesmo. Não reclame do azar ou do patrão chato que você teve que "arruinou sua carreira". Isso geralmente é apenas uma desculpa para justificar erros de planejamento em sua vida. Encare o objetivo de sua vida de frente, passando por cima de pedras pequenas, mesmo que machuquem um pouco o pé, e empurrando obstáculos maiores. Sua felicidade não tem preço.

Dr. Zambol
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domingo, 10 de abril de 2011

E.A. - Entusiastas Anônimos



Andava com pressa pela calçada. Local emputecidamente lotado de pessoas incapazes de aplicar o mínimo esforço necessário para mover seus corpos no ângulo que os permitam seguir seus caminhos sem se confrontarem brutalmente com outros seres. Isso sem contar mendigos, pregadores da palavra de Deus, e mais perigosamente, os vendedores-de-sei-lá-o-que que te abordam, quase como uma ameaça, tentando lhe oferecer uma coisa ou de origem duvidosa ou inútil. Nesse dia fui pego por um deles.

- Olá senhora, será que eu poderia ter um minuto da sua atenção?

Andava ao meu lado enquanto falava.

- Na verdade agora não. Estou com um pouco de pressa.
- Vai ser muito rápido, eu prometo senhora.

Desta vez não estava mais ao meu lado, mas sim na minha frente e, consequentemente, impedindo meu deslocamento.

- Ok, diga.
- Estou aqui para falar sobre o E.A., a senhora já o conhece?
- Certamente não. Continuo com pressa.
- Entusiastas Anônimos. Nossa sede fica no segundo andar deste prédio. Gostaria de convidá-la para conhecê-lo. Hoje começa mais um grupo novo.
- E por que dentre tantas pessoas nessa bendita calçada, você foi achar que justamente eu deveria conhecer um grupo desses?
- A senhora está vestindo uma roupa social, mais precisamente terno e calça preta em um calor de trinta graus ao meio dia. Está também de salto alto andando rapidamente por essa calçada esburacada, equilibrando uma pilha de papéis em um braço e sua bolsa nada pequena no outro. Ainda assim demonstrava uma expressão tímida de contentamento e determinação. Você tem todas as características de um entusiasta anônimo.

Fiquei muda por um minuto.

- Quanto tempo leva caso me interessasse em assistir essa reuniãozinha ai?
- Uns quarenta minutos no máximo.
- Ok, vai. Leve-me até lá.

Ao entrar, percebi que a reunião já havia começado e uma senhora que me parecia ser a líder fazia a abertura para os outros participantes, todos sentados em roda. Discretamente fui me acomodando em uma das cadeiras.

- Sejam bem vindos ao Clube dos Entusiastas Anônimos. Agora vocês fazem parte de um grupo vitorioso de pessoas que aceitaram se mostrar aos seus semelhantes, para juntos superarmos essa barreira imposta pela sociedade em excluir aqueles que são verdadeiramente satisfeitos profissionalmente, e cujo trabalho nem sempre é bem visto pela maioria. Meu nome é Fátima, sou Chefe de Jornal Mural. Não faço as matérias, mas tenho muito prazer em organizá-las nos vinte murais espalhados pela empresa. Agora gostaria que cada um de vocês fizesse o mesmo. Apresentem-se e não sintam medo de expressar seus profundos sentimentos por suas funções. Quem começa?

- Eu amo mexer em planilhas de Excel! Formatar, corrigir, filtrar. Sou Head de Listas e meu nome é Alfredo.
- Sou Ana. Finalmente consegui o emprego dos meus sonhos. Sou operadora em uma empresa de Contact Center! Sempre achei o máximo usar aqueles headsets.

Assim todos se apresentaram até que chegou minha vez. Não sabia bem o que falar até que decidi deixar as palavras surgirem naturalmente.

- Olá, meu nome é Maria. Sou vendedora. Fixo baixo, comissão razoável. Trabalho pelo desafio e gosto da idéia de poder me superar a cada venda conquistada. Sempre compartilhava minhas vitórias porque acho que é pra isso que elas servem. Mas ai percebi que o pessoal lá da empresa caçoava de mim, então passei a comemorar sozinha, às vezes ia até o banheiro só pra poder dar um sorriso mais largo sem chamar atenção. Acho que é isso.

- Ok, muito obrigada a todos vocês pelos depoimentos. Disse Fátima.
- Acabamos nos estendendo e por isso acredito que iniciaremos as discussões da primeira pauta só na semana que vem. Não faltem. Como eu disse, todos aqui são vitoriosos por já terem dado o primeiro passo. Sonho com o dia em que este clube deixará de ser anônimo e todas as pessoas entenderão que satisfação profissional é muito mais do que altos salários, cargos com nomes bonitos e grandes posições hierárquicas, mas até lá precisaremos trabalhar muito. Ah, estudem sobre a Pirâmide de Maslow. É sobre ela que falaremos na semana que vem.

Sai de lá atônita. Ansiosa e curiosa para a próxima semana. Desci as escadas com um sorriso que não cabia em mim. Quase na calçada e distraída, esbarrei com um homem que ia subir. Olhou com cara feia e ainda se sentiu ofendido com minha alegria. Lembrei então que tinha voltado à vida real. Fechei a cara e continuei com a minha pressa.

Revolução Industrial 2.0?

Você já ouviu falar da Foxconn? Não? Deixe-me então fazer uma pergunta diferente. Você já ouviu falar do Mac Mini, do iPod, do iPad, do PlayStation 2 e 3, do XBox 360, do Wii e de placas-mãe da Intel? Pois bem - todos esses produtos são produzidos pela Foxconn. E a variedade de coisas produzidas pela Foxconn não para aí: diversos componentes eletrônicos de empresas como Dell e HP, celulares da Motorola e outras gigantes do mercado internacional também são fabricados lá. Do mercado mundial de 150 bilhões de dólares de eletrônicos, 40% é da Foxconn.

Os números impressionam, mas não é devido a eles que a Foxconn ficou conhecida. Em 2010, 14 funcionários cometeram suicídio. Somado com os outros 3 suicídios dos últimos 5 anos na empresa, tem-se o número tão divulgado de 17 suicídios na Foxconn. Dezessete em meia década não impressiona tanto (a taxa dos adolescentes em países desenvolvidos é mais do que o dobro disso). Além disso, o suicídio é a décima causa de morte no mundo - a cada ano 1 milhão de pessoas suicidam-se e outras 10 a 20 milhões tentam tirar a vida sem sucesso, sendo a principal causa de morte de adolescentes e adultos até 35 anos.

O que impressionou o mundo foram basicamente dois fatores:
  1. Quatorze suicídios apenas em 2010 - um número realmente expressivo;
  2. Os suicídios tinham cunho de protesto pelo número de horas trabalhadas e pela pressão exercida para cumprir turnos maiores do que 60 horas semanais. Além do trabalho monótono (sentado o dia inteiro montando componentes eletrônicos), para ir ao banheiro você precisa levantar a mão e esperar para que alguém substitua o seu lugar na linha de montagem (não parece familiar com o que você leu sobre a revolução industrial?)
Uma auditoria mostrou realmente turnos forçados de mais de 12 horas diárias para alcançar metas irreais e um outro conjunto de fatores como dormir e viver dentro do campus (os funcionários dormem dentro da empresa em quartos coletivos, pois muitos moram longe e não teriam condições de voltar para casa ou mesmo nem possuem casa perto da cidade nem teriam condições de alugar qualquer moradia) e baixos salários como o grande vilão.

Como se não fosse suficientemente triste, para o padrão Chinês a Foxconn é uma das melhores empresas do gênero para se trabalhar, com dormitórios modernos e limpos e planos nem comparáveis com outras fábricas do gênero. Entretanto, os números das outras empresas ainda nem subiu à superfície, pois a pressão para mudança da globalização seria maior ainda.

A Foxconn tentou de tudo para diminuir as taxas de suicídio: instalou redes gigantes em cada ponto possível de suicídio (hoje a fábrica por fora mais parece uma grande rede de pescar peixes) e aumentou os salários em 2011. Infelizmente, a pressão internacional para que os suicídios parassem não está em sincronia com o mercado financeiro, que logo após o aumento de salários, fez as ações despencarem mais uma vez em 16%, pois o aumento de salários fez com que as margens - já bastante curtas - fossem ainda mais reduzidas, com o perigo de deixar a empresa no vermelho.

As redes parece terem dado efeito - não houve mais relatos de suicídio na planta chinesa, mas o aumento salarial teve o efeito oposto. Afinal, o que o mercado quer da empresa então? Que tome ações reais para conter o suicídio ou que coloque "redes" apenas para não assustar mais o consumidor ocidental?

Todo mundo hoje sabe que não há como sustentar 7 bilhões de pessoas vivendo um consumismo parecido com o dos EUA. Nem o planeta tem os recursos naturais para tanto nem há como produzir tanta coisa sem uma mudança radical no processo fabril. Países em desenvolvimento, entretanto, estão começando a consumir mais e mais, o que forçará que mais Foxconn's sejam criadas. Será esse o modelo da nova revolução industrial? Pessoas com turnos de trabalho insalubres a ponto de cometer suicídio e o mercado financeiro pressinando salários cada vez mais baixos em fábricas ao redor do mundo? Se não for esse o modelo, como conseguiremos manter o aumento estratosférico do consumismo mundial? A robotização não é trivial e o horizonte não é otimista nesse sentido - o ser-humano ainda parece ser uma peça-chave não tão fácil de ser substituída em diversos setores fabris.

Olhando e falando com diversos colegas, sinto que a carga de trabalho aumenta ano após ano - não só aqui no Brasil, mas em países como Índia, Inglaterra e Estados Unidos - onde está a maioria das pessoas com quem conversei sobre o assunto. Nós da Tribo do Mouse, esperamos que seja apenas uma sensação e que o mundo não esteja indo nessa direção. Seria muito triste regredir nesse sentido. O sangue dos 17 trabalhadores da Foxconn que tiraram suas próprias vidas está em cada um de nós - que consumimos e queremos aparelhos cada vez mais baratos para saciar nossa sede de gadgets e aparelhos não tão essenciais para a nossa sobrevivência. A consciência do estrago do consumismo exacerbado tem que estar em cada gerente, em cada diretor, em cada ser-humano.

Infelizmento, o caminho é difícil e contraditório. Gerentes de venda são pagos para incentivar o consumo irracional. As metas de vendas às vezes exigem que os turnos de trabalhos aumentem de tempos em tempos, ano após ano. Gerentes de produção, talvez não tão diretamente, vivem um conflito muito parecido, pois são forçados a atingir metas de produção para atender a demanda. Gerentes de TI, ainda mais indiretamente, vivem o mesmo conflito. Se pararmos para analisar, a grande maioria do setor privado vive um sentimento barroco muito parecido nesse sentido. Onde isso irá parar? E qual a solução? Se a Foxconn aumentar mais ainda os salários ou contratar muito mais pessoas, pode entrar num caminho sem volta, que levará a empresa à falência pois gigantes como a Apple e a Motorola mudarão o contrato da fabricação dos iPods e iPads, por exemplo, para outras empresas que mantenham o mesmo preço baixo. Essas novas empresas, por sua vez, irão crescer, tornar-se outra gigante como a Foxconn e ter os mesmos problemas no futuro, reiniciando o ciclo mais uma vez. Aliás se a Foxconn falir, uma coisa é certa: 450 mil pessoas desempregadas certamente irão se suicidar em muito maior escala do que os míseros 17 que já perderam suas vidas.

O balanço não é fácil, mas todo líder tem que ter essa consciência, não somente com sua familia, mas com sua equipe: o ser-humano deve estar sempre em primeiro lugar, seja qual for a área que você atuar. Os fins nunca justificam os meios.

Se sempre tomarmos a decisão pensando no melhor para todos, sempre existe uma solução. O problema é que ela pode ser mais radical e trágica do que se pensa em um primeiro momento, mas verdadeiros líderes estão aí exatamente para isso: tomar decisões que ninguém tem coragem de tomar.

Dr. Zambol
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