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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Efeitos Colaterais da Crise

O relatório da BrandZ do ano de 2009 já saiu. Sempre gostei bastante desse relatório, que faz uma análise extensiva das marcas com enfoque principalmente no valor de mercado, no crescimento e no setor “de influência” da marca.

Algumas coisas, mesmo com a crise, continuam a mesma coisa: Google e Microsoft são as primeiras colocadas da lista, com o valor do Google ultrapassando os 100 bilhões de dólares. É a primeira vez na história que uma marca atinge esse valor. A coca-cola, que por diversos anos manteve-se como a marca mais valiosa do mundo, está na terceira posição, firme e forte.

A contínua alta demanda por celulares fez as marcas desse setor crescerem bastante, colocando a Vodafone entre os Top 10 pela primeira vez, com um aumento de 45% em seu valor, impulsionada também pelo crescimento do iPhone e do Blackberry.

Até aí tudo bem, poderia ocorrer em qualquer ano normal. O interessante foi o efeito da crise econômica mundial nas marcas.

A crise teve dois efeitos principais no comportamento dos consumidores do mundo: (1) querem mais por menos e (2) tendem a ficar em casa para tentar gastar menos.

O primeiro comportamento levou o consumidor a escolher grandes redes, conhecidas por grandes descontos, como Wal-Mart, que teve sua marca valorizada em 19% (chegando a 41 bilhões de dólares) , o grupo de supermercados alemão Aldi, que cresceu 49% e teve seu debut entre as Top 100, e a rede H&M, que teve o valor de sua marca elevado para 12 bilhões (aumento de 8%).

Vou confessar uma coisa: até eu pensei em ir para o Big. Na verdade, cheguei a ir para o Big e fazer algumas compras lá. Realmente, senti uma diferença no preço. Mas depois de ser atropelado por um atendente de patins, voltei correndo para o Zaffari. Talvez eu espere a crise aumentar para me submeter a tal.

O segundo efeito comportamental dos consumidores na crise – tentar ficar mais em casa para economizar – mostrou-se uma auto-enganação incrível. Lojas on-line, como a Amazon e o eBay cresceram absurdamente. A Amazon teve um aumento de 85% em seu valor, chegando a 21 bilhões de dólares. Parece que o mundo on-line tem sempre um motivo para crescer: quando a economia vai bem, cresce porque o aquecimento do mercado gera mais e mais vendas on-line; quando a economia vai mal, as pessoas tentam ficar em casa e, bem...., lá estão elas entediadas usando seu browser e puxando seu cartão de crédito.

Mas o efeito mais estranho da crise foi nas marcas que estimulam pequenos vícios, como cigarros e bebidas. Marlboro cresceu 33% e Budweiser cresceu 23%. McDonnald’s, que pode ser considerado um vício alimentar, também cresceu muito – 34%, fazendo sua marca valer 66 bilhões de dólares e o colocando como a quinta marca mais valiosa do mundo.

Enquanto isso, grandes marcas foram extirpadas da lista Top 100. Se você acessar o link do início desse post, verá que Chevrolet, Ford e Volkswagen, para citar gigante do setor automobilístico, não estão mais lá. Outras gigantes do setor financeiro, como AIG e Merril Lynch, figuras marcadas no relatório, também sumiram.

Será que a crise é realmente tão amarga assim?

Dr. Zambol
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Palestra Evan Williams - Criador do Twitter - TED

Pessoal:
Somos grandes fãs do TED aqui na Tribo. Para quem não conhece o TED é uma conferência anual que traz pensadores nas áreas de Tecnologia, Entretenimento e Design, falando de suas vidas, feitos e das coisas que os inspiram. Já faz algum tempo que estamos pensando em colocar as palestras do TED no site, mas sempre esbarrávamos na barreira do idioma. Pois bem, o TED lançou recentemente um projeto de tradução e várias palestras já estão disponíveis em português. A Tribo também faz parte desse time de tradutores voluntários e publicamos abaixo o primeiro vídeo dessa iniciativa, a palestra de Evan Williams, um dos criadores do Twitter.
Bom divertimento!



Abraços da Tribo (Jack, Reggie e Zambol)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Dona Erci

Toda manhã, nos últimos quarenta anos, a dona Erci tem a mesma rotina. Acorda cedo, antes das sete, e vai abrir o bar. Na verdade o boteco, que tem cerveja e cachaça, além das mesas de bilhar. Durante vários anos ela dividiu essa tarefa com o filho mas, mesmo depois que ele faleceu, ela persiste com a rotina. E todo o dia ela fica lá até as dez, onze horas da noite, cuidando do bar sozinha. Limpa como pode, atende, recebe os fornecedores e dá comida para o Vinagre, que já é o terceiro cachorro com o mesmo nome e sobrevive à base de polenta fumegante misturada com restos de comida.

Porém, na semana passada foi diferente. O único freguês àquela hora pediu um cigarro. Dona Erci se virou para pegar e ao retornar foi recebida com três tacadas na cabeça. Caiu ao chão enquanto o sujeito a revistava em busca do dinheiro.

Ela sobreviveu a dois maridos. Com primeiro, um italiano que a enrolou antes do casamento dizendo que era dono de terras em Porto Alegre, ficou casada muito tempo. Foi com ele que  teve seu único filho. Mas o coração do italiano apesar de bom era fraco. Ele faleceu de um ataque cardíaco, depois de um prato de costelas de porco regadas a muito vinho. O segundo marido, dizem, tentou se aproveitar dela. Casamento por interesse. Mas foi ela quem acabou ficando com a pensão, depois da morte prematura do marido por câncer. Não era uma pessoa de muitos sorrisos mas, podia-se dizer, que a vida a endureceu. E quando alguém reclamava do seu estilo seco, a resposta era dada no velho estilo gaúcho:
- Sou assim porque na minha terra Bugio é Delegado!

Fiquei assustado quando encontrei a minha avó com a cabeça toda roxa. Foram três tacadas na cabeça de uma senhora de oitenta e dois anos. Ah se eu pegasse o desgraçado...
- É o tal do crack.
Ela diz resignada. Ele frequentava o bar já a dois meses, era até o um bom freguês.
- Mas o melhor tu não sabe, quando que eu caí no chão fingi que estava desmaiada. Ele  começou a me revistar procurando dinheiro, mas não encontrou nada. Tava aqui ó, embaixo do braço. Ele foi embora levando só vinte reais que tinha no caixa. Eh, eh, eh, se deu mal o safado.

O bar garantiu o sustento da minha família por muito tempo, pagou minha faculdade e a do meu irmão. E mesmo quando meu pai já estava doente ela ficava lá, segurando as pontas e mandando dinheiro para o tratamento dele. É impressionante a força da velha. Quando eu pergunto por que ela não deixa o bar e vai descansar, afinal, ela não precisa mais disso, a resposta é enfática:
- E fazer o que? Isso aqui a minha vida.

O bar ficou fechado por dois dias, tempo para ela se recuperar, acertar os curativos e voltar ao posto. Parar de trabalhar? Só mesmo para esperar a morte chegar.

[]s
Jack DelaVega

terça-feira, 26 de maio de 2009

Morte no Nilo

Estive no Egito de férias logo após o lançamento do livro da Tribo do Mouse, há duas semanas. Enquanto estava planejando a viagem, todos me diziam que eu deveria fazer um cruzeiro no Nilo. Conversei com duas, três, quatro pessoas que haviam ido para lá, e todas elas haviam feito a mesma coisa. Mas eu não estava convencido. É que eu e minha esposa não gostamos de viajar de pacotão, gostamos de fazer o nosso próprio roteiro, andar no nosso ritmo, ter a oportunidade de eventualmente se perder - não há melhor maneira de realmente conhecer um lugar.

E assim foi. Embarcamos para o Egito com um esboço de roteiro no papel e a acomodação reservada. O resto definiríamos por lá.

Mas não é fácil. O que vou relatar aqui é completamente baseado na minha experiência e em alguma leitura, mas obviamente pode não ser a realidade, não sou expert no assunto.

O que parece ocorrer no Egito é algo que provavelmente temos no Brasil também. Existe uma camada de serviços por sobre a indústria de turismo no país que faz com que o turista não tenha contato efetivo com o local. Explico. Vamos começar com a rede hoteleira. Praticamente não existem mais grandes hotéis realmente egípcios - daqueles que vemos nos filmes. Marriott, Hilton, Steigenberger, Moevenpick, os nomes são todos estrangeiros - e ocidentais. Os hotéis de médio e pequeno porte são totalmente não-recomendados por qualquer um que você converse. São "perigosos" dizem os experts em turismo. Uma vez em um desses grandes hotéis, o turista se vê totalmente desencorajado a fazer coisas normais como caminhar na rua ou pegar um táxi. É "perigoso", não se preocupe que o hotel lhe arranja um carro.

Com os tais cruzeiros no Nilo, acontece uma coisa parecida, mas talvez em maior escala. Os turistas simplesmente não saem de seus barcos, a não ser para entrar em um ônibus com ar-condicionado e ir até um dos pontos turísticos. Restaurantes, lojas, os barcos dos cruzeiros têm de tudo. Os restaurantes são na maioria ocidentais (têm até Pizza-Hut). As lojas em teoria vendem souvernis e artesanato local - embora o preço seja um pouco diferente.

Com os tours é a mesma coisa. Ou você faz pacotão via um cruzeiro, ou vai até a agência de viagem de plantão nos grandes hotéis, ou vai até um operador indicado localmente. Obviamente, tais operadores são todos nomes conhecidos nossos: American Express, Thomas Cook, etc. Qualquer coisa fora disso pode ser "perigosa".

Detalhe: o Egito é um país com menor criminalidade do que os EUA ou Reino Unido.

Em um determinado ponto da viagem eu, já meio sem paciência, acabei negociando com um motorista que conhecemos todos os tours que faríamos em 3 cidades (fora o Cairo). Ele nos levaria onde quiséssemos, nos contaria o que ele soubesse sobre os lugares, e ainda conseguiria um amigo em outra cidade para nos prestar o mesmo serviço por lá. Conclusão: paguei 5x mais barato do que o preço mais em conta que tinha encontrado nas operadoras ocidentais. Em um belo dia pedimos a esse cara para parar em uma farmácia - estávamos precisando de protetor solar. Era 3x mais barato do que na farmácia do hotel.

Ok, mas esse blog não é sobre viagens, então vamos parando o relato por aqui. O ponto que quero chamar atenção aqui é sustentabilidade. Eu e minha esposa voltamos discutindo a maneira como a indústria de turismo funciona em países pobres como o Egito, e como ela não é sustentável. Em geral acreditamos que países pobres são pobres porque não têm habilidade ou recursos para serem algo diferente. Mas o que acontece muitas vezes é que esses lugares não recebem a fatia que merecem dentro da cadeia.

Não falo em merecimento no sentido ingênuo de achar que aquelas pessoas não merecem ser pobres. Estou falando de preços justos, salários justos, valor agregado. O imenso volume de recursos que o turismo injeta no país anualmente não chega efetivamente em quem trabalha na indústria. Essa camada adicional de serviços que mencionei anteriormente faz uso do gigantesco abismo que existe em termos de poder aquisitivo entre o turista e o as pessoas locais (para não falar no câmbio), colocando-se como intermediário em praticamente todas as relações de consumo, e explorando de certa forma os empreendedores locais.

O que conforta é que o tema da sustentabilidade, principalmente em relação a essa importante indústria que é o turismo, está com um momentum muito bom no meio empresarial. Mais ainda com as crises ambiental e financeira que estamos vivendo. Geralmente esperamos que a pessoa ao lado, ou a empresa ao lado vá fazer alguma coisa sobre isso. Mas o que cada um de nós está fazendo no sentido de promover sustentabilidade em cada uma das dezenas de relações de consumo que engajamos todo dia?

Reggie, the Engineer (João Reginatto)
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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Matando Pavões for Dummies - Reedição

Para quem não sabe, meu filho nasceu na terça-feira passada. Já tentei mais de três vezes, em casa, parar na frente do computador para escrever o post dessa semana. Infelizmente, quando consigo finalmente me ajeitar na cadeira e ordenar algumas idéias...lá se ouve o choro novamente ou preciso realizar alguma tarefa relacionado a isso :)

Emfim, creio que tudo deva se acalmar em breve. Para esta semana, reedito um post que gosto bastante, que fala dos pavões e como agir com eles. Espero estar inteiro na semana que vem e com material novo.

Uma boa leituras e um abraço a todos,

Dr. Zambol
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Pavão parece ser um termo recorrente aqui na Tribo. Tudo iniciou com o Post "A Culpa é dos Pavões". Mais tarde, o já famoso pavão na empresa foi citado em mais alguns posts. Entre eles, destaque para "Só Tem Animal Nessa Empresa" e "A Vida de Pablo".

Queria hoje abordar o assunto por um outro ângulo. Para quem não sabe, gosto bastante de genética. E um dos assuntos do livro Instinto Humano, que li esses tempos, discutia o caso dos pavões. Recomendo a leitura do livro. Ele me fez entender muito dos comportamentos - meus e de todos à minha volta - incluindo, é claro, dos meus funcionários. Certamente poderia estar presente na prateleira de livros não-ortodoxos da Tribo do Mouse, classificado como Gerenciamento de Pessoas e Desenvolvimento Pessoal.

Todos conhecem a história da seleção natural. A Girafa necessitava comer frutos. As com pescoço maior tinham mais chances, pois conseguiam encontrar mais frutos à sua disposição, sobrevivendo mesmo em tempos difíceis e conseguindo passar os seus genes adiante. O pescoço grande realmente lhe dava uma vantagem competitiva na luta pela sobrevivência.

O que nem todos conhecem é a teoria da seleção sexual. Ela é um caso específico de seleção natural, mas muitas vezes vai de encontro com a seleção do mais apto a sobrevivência. Os pavões são considerados um caso clássico de seleção sexual descontrolada.

No caso dos pavões, o macho com cauda maior e mais bela tem mais chances de "se promover" com a srta. Pavão. Ninguém sabe ao certo o que iniciou o processo, apenas sabe-se que as fêmeas de muitos animais são atraídas por machos que possuem maior concorrência. Portanto, uma das teorias é que as pavoas simplesmente começaram a descontroladamente querer pavões com rabos maiores e mais bonitos, provavelmente na carona de alguma que iniciou o processo. Isso fez com que só esses conseguissem se reproduzir, passando os genes do "rabo grande" e tornando o macho de cada geração com o rabo maior.

Entretanto, para a sobrevivência do pavão, o rabo grande é uma desgraça. Ele é mais lento, mais desajeitado e muito mais visível para os predadores. Devido a seleção sexual, ele tornou-se uma presa fácil. Mesmo assim, nesse caso, a seleção natural estrita (onde o mais forte é que passa os gens) foi derrotada pela seleção sexual.

É claro que isso me lembrou direto os pavões que encontramos todos os dias na empresa. Eles balançam seu rabo magnífico, e muitos gerentes e diretores se apaixonam por isso e os promovem. Entretanto, assim como ocorre na natureza, eles continuam sendo presas fáceis.

Se fizermos uma análise pelo lado do bando, sabemos que eles venceram na natureza porque, estatisticamente, a quantidade dos que conseguiam se reproduzir vencia os que eram devorados por predadores.

Mas se formos falar de um pavão específico, bastava um predador avistá-lo de longe para que fosse decretado o fim da vida dele. Mais lento e praticamente um placar luminoso escrito "me devore", devido ao grande rabo, não tinha como escapar.

O caso dos pavões nas empresas é igual: eles se dão bem devido à "seleção promocional descontrolada", fingindo qualidades que não possuem. A estratégia para combatê-los deve vir da genética: não tente acabar com o bando - você fracassará. Mire no que lhe atrapalha. Quando ele começar a correr, desajeitado e lento, não terá chance alguma contra você. Será desmascarado vergonhosamente.

A mesma coisa que lhe promoveu será aquilo que irá lhe matar.

Dr. Zambol
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quinta-feira, 21 de maio de 2009

O Pior Emprego do Mundo

Pessoal:
Vocês sabem que a Tribo é bastante criteriosa com os vídeos que colocamos no site, afinal, temos um padrão de qualidade a zelar. Mas esse vídeo abaixo é tão engraçado e tão relacionado com as coisas que falamos aqui que mereceu a publicação. Esperamos que vocês gostem.

Um grande abraço da Tribo do Mouse(Jack, Reggie e Zambol)