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Guia Especial - Planejamento de Carreira

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Vídeo - Nove Conselhos Para Escalagem

Nesta palestra do TED o escalador veterano Matthew Childs compartilha 9 conselhos para escalagem. Dicas que também  são relevantes ao nível do mar.



Abraços da Tribo do Mouse(Jack, Reggie e Zambol)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Os Donos do Mundo

Estava parado no semáforo quando uma camionete último tipo, uma Cherokee ou algo parecido, entrou na traseira do meu carro. Era a noite do lançamento do nosso livro em Curitiba e eu estava atrasado indo pegar o Zambol e o Reggie no Hotel. Desci do carro apressado, reclamando, mas a mocinha no volante reclamava mais ainda. Como se tivesse razão. Lá pelas tantas ela começou a gritar alterada:
- Não te preocupa que eu vou pagar essa porcaria do teu carro. Graças a Deus dinheiro não é problema para mim! Está aqui o número do meu celular, pode ligar a cobrar para não gastar os teus créditos!
Já indignado, retruquei:
- Nosso país está assim por causa de gente como você!
E recebi a seguinte resposta:
- Então te muda do país!

No último fim de semana fui com a família e alguns amigos à uma Pizzaria aqui perto de casa. A única mesa disponível era ao lado de um grupo que parecia muito animado. Mas foi só sentar à mesa que percebemos que era animação em excesso. Como bom descendente de italianos eu tenho ótima tolerância a barulhos à mesa, mas aquilo já era demais. Eles literalmente gritavam o tempo inteiro. Fiquei sabendo que uma das mulheres havia casado de branco e de todos os detalhes indiscretos da noite de núpcias. O casal da mesa ao lado pediu para embrulhar a pizza pois não conseguiam comer naquela zoeira. Foi quando o namorado da minha cunhada pediu,  educadamente, ao pessoal da mesa para baixar um pouco o volume. A reação foi um misto de xingamentos e indignação. Começaram a falar mais alto ainda, alegando que tinham o direito de falar como quisessem pois estavam pagando. Quando reclamamos para o gerente ele concordou resignado:
- Peço desculpas a você, mas tem gente que não respeita os outros mesmo. Eles estão incomodando o garçom e o resto das mesas a noite inteira. Mas pode deixar que a sobremesa é por minha conta.
Porém, o clima do jantar já estava arruinado e acabei terminando a minha pizza em casa por conta do bando de babacas.

Nas últimas semanas temos acompanhado a inundação de denúncias contra o senado e a defesa patética do Senador José Sarney por parte do PT e da base aliada. Uma frase que chamou atenção na mídia foi o comentário do presidente Lula sobre Sarney, foram essas as palavras do presidente:
"Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum."

É uma afirmação que indigna qualquer brasileiro, pois, de acordo com nosso Presidente, Sarney não é um "qualquer" e merece tratamento especial, da lei, da mídia, do povo, e por aí vai. Aposto que os meus amigos da Pizzaria e a mocinha que bateu no meu carro concordam comigo nesse ponto, é realmente um absurdo o tratamento preferencial oferecido aos parlamentares do nosso país. Mas me pergunto, o que eles fariam se estivessem na situação de Sarney? Repito novamente a frase clássica do economista Eduardo Giannetti: "O Brasileiro sempre acha que o Brasileiro é o outro".
Infelizmente, temos os políticos que merecemos.

[]s
Jack DelaVega

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O mundo é plano para todos

A visão Friedmaniana de que o mundo é plano a maioria de nós já conhece. Mas o quanto esse plano se inclina para o leste ainda é algo que não apreciamos totalmente. Quando sairmos lá do outro lado dessa crise é que veremos de fato.

Hoje de manhã eu fui buscar a minha bicicleta nova na loja. Aqui na Irlanda (como em quase toda a Europa) o governo incentiva as pessoas a usarem bicicleta como meio de transporte, então eu pude trocar a minha antiga magrela por uma novinha em folha pagando menos da metade do preço. O modelo escolhido dessa vez foi uma Merida Speeder T2 reluzindo. Nunca ouviu falar de uma bicicleta Merida? Pois vá se acostumando. A Merida é uma companhia Taiwanesa que no passado fabricava o quadro de algumas das melhores bicicletas do mundo. Acontece que nos últimos anos ela resolveu lançar seus próprios modelos, e o resultado são bicicletas de grande qualidade a um preço extremamente competitivo. A empresa cresceu a tal ponto de tornar-se dona de 49% das ações da americana Specialized (ah, essa você conhece...).

Que a maioria dos produtos manufaturados que consumimos hoje em dia têm sua origem na Ásia nós já sabemos. A corrida por redução de custos nas últimas décadas levou indústrias inteiras a converterem-se ao movimento Outsourcing / Offshoring Friedmaniano. De computadores a bicicletas, as maiores marcas hoje em dia não são muito mais do que marcas - o produto em si vem do leste. Você é 'cool' e tem um iPhone? Joga Wii ou PS3 com seus amigos? Lê esse post da Tribo em um laptop HP ou Dell? Está interessado em comprar um Kindle da Amazon? Pois saiba que todos esses produtos, todinhos, são fabricados por uma única empresa Taiwanesa - a Hon Hai Co., mais conhecida como Foxconn. Se você não sabia, agora ficou sabendo.

Só que esse é só o começo da história. Essa é a parte fácil, que o Thomas Friedman e todo mundo enxergou anos atrás. OEMs, ODMs, massificação da produção de produtos, redução de custos causada pelo ganho de escala. O que ninguém tinha prestado atenção era nas Meridas da vida. As empresas asiáticas, cansadas de serem pressionadas pelos grandes clientes (marcas) para manterem seus custos absurdamente baixos, e também cansadas dos efeitos que os períodos de crise causam a elas por serem tão dependentes de seus clientes, começaram a colocar suas manguinhas de fora. A Merida que mencionei antes é um exemplo, mas existem outros. Você a essa altura já deve ter ouvido falar em celulares HTC, certo? Trata-se de mais uma companhia Taiwanesa que costumava fabricar aparelhos de celular para as maiores marcas por aí, até que se encheu dessa vida e resolveu vender seus próprios modelos. Tem crescido absurdamente nos últimos anos. Outro exemplo: Acer. Costumava ser uma humilde fabricante de computadores para grandes marcas americanas. Desde 2000 ela deixou a operação de OEM/ODM com sua irmã-gêmea Wistron e lançou-se a vender seus próprios modelos. Hoje é a 3a maior fabricante de PCs do mundo, no calcanhar da Dell (será certamente a número 2 do mundo, nos calcanhares da HP até o final de 2009).

Outros exemplos não faltam: Asus, BenQ, etc. Todas empresas asiáticas que foram procuradas por grandes conglomerados para assumir a manufatura de produtos nas últimas décadas, e agora estão voltando para competir de igual para igual com seus antigos (na verdade atuais) clientes. Será o início do fim dos modelos atuais de offshoring/outsourcing? De onde é mais fácil surgir a inovação? Não será onde os produtos são desenhados e produzidos? O conceito de Netbook veio da Ásia...

Veremos o que restará do outro lado da crise, mas tem muita empresa 'de marca' que vai sofrer com a concorrência dos antigos fornecedores do leste. Fazer o quê, o mundo é plano. E é plano para todos os lados.

Reggie, the Engineer (João Reginatto)
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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pobre Menino Rico

Se você estava na Terra nos últimos dias já sabe que Michael Jackson morreu (a foto ao lado é uma projeção do jornal inglês Daily Mail de como seria o rosto do astro com 50 anos de idade se não tivesse feito pláticas). Sétimo filho dos nove do casal Joseph e Katherine Jackson, iniciou na carreira de dançarino e cantor com apenas cinco anos de idade. Aos onze já era profissional: integrante e principal compositor dos Jackson Five.

Não sou fã dele, mas admiro muito sua música e sua criação. No álbum Off The Wall, criou um novo conceito, misturando Disco e Black Music. Esse novo paradigma musical abriu espaço para o rock pop como conhecemos hoje. Mesmo para quem não gosta da música dele, provavelmente reconhece a genialidade e a criatividade de Michael Jackson.

O problema da trajetória de Michael foi ele próprio. Perdeu-se em excentricidades, amplificou medos e histórias do passado e nunca conseguiu crescer. Por que uma mente genial, capaz de quebrar paradigmas musicais e criar um novo conceito de linguagem corporal (quem não se lembra de seus passos para trás?) pode ser tão burro na vida pessoal?

Se pararmos para pensar, isso não é incomum em pessoas que têm tempo e condições de sobra para criá-las. Você consegue imaginar um operário que não fala com pessoas vestidas de marrom? Ou que exige que saia sempre pela mesma porta que entrou? Pois bem, essas duas coisas ocorrem com Roberto Carlos, “diagnosticado” com TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). Posso até imaginar o diálogo entre o operário e o mestre de obras:

- Chefe, entrei pela porta principal, não posso ir para o andar superior se não liberarem a mesma porta. Tenho que sair sempre pela mesma porta que entrei.
- Que merda é essa Josefino? Tá de sacanagem comigo? Fumou as meias? Eu quero a parede do quinto andar rebocada até às 18 horas. E não tem como liberar aquela porta porque ela foi consertada hoje. Vai ficar dois dias fechada! Ah, e fala depois com o Jorge que ele está com os ticket-refeição dessa semana.
- Não posso chefe. Ele veio de marrom hoje.
- Hein!? Minha vó também está de marrom hoje. O que tem isso a ver com falar com ele?
- Não consigo falar com pessoas usando a cor marrom.
- Tá Josefino, se tu não sair da minha frente em 10 segundos, tu vai sair é pela janela. Estás demitido.

Entenderam onde eu quero chegar? Ou ele se cura sozinho, na marra, ou vai morrer de fome. No fim, o instinto de sobrevivência acaba falando mais alto e ele “se cura” do “TOC” (psicólogos, desculpem as aspas, eu acredito sim que existam pessoas com TOC, só não acredito em 90% dos diagnósticos).

Como esse não é um blog sobre psicologia e nem sobre Complexo de Édipo (o que menos queremos é mexer com a mãe dos outros), o que quero chamar a atenção aqui é que, em menor escala, acabamos criando hábitos ruins que nos prejudicam em nosso emprego. Às vezes, isso é refletido apenas em um mau-humor perene porque tudo o que ocorre de ruim você acredita estar no meio. É claro que ninguém gosta de falar com pessoas de mau-humor – e isso pode lhe afastar de grandes oportunidades.

Outras vezes, isso pode ser refletido em um pessimismo, onde a pessoa acha que as outras pessoas estão sempre querendo tirar vantagem dela e roubar suas idéias. Com isso, deixa de compartilhar idéias e informações importantes que poderiam, com a ajuda e o feedback de algumas pessoas-chave, se transformarem em grande projetos, acarretando inclusive em promoção para si mesmo.

Seja onde for que isso leve, o talento é muitas vezes tolhido por motivos e medos que certamente não deveriam estar presentes. Michael Jackson teve um sucesso arrebatador, mas poderia ter feito muito mais com o talento que tinha.

Não deixe seu talento ser tolhido por medos e inseguranças bestas. Compartilhe suas idéias: seja expansivo, se exponha. Para quem não é um gênio como Michael era na música, talvez seja a diferença entre o sucesso e o fracasso. Afinal, ninguém vai colocá-lo numa vitrine se você não fizer sua parte.

Não morra sozinho, deformado e burro em sua empresa como Michael Jackson fez em sua vida.

Dr. Zambol
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vídeo - Os Oito Segredos do Sucesso

O vídeo dessa semana fala de Sucesso, mas apesar de ser intitulado de "Segredos do Sucesso", não há nada de secreto nessas dicas. Esperamos que vocês gostem.



Abraços da Tribo do Mouse(Jack, Reggie e Zambol)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Zona de Conforto

Júlio fechou a porta da sala, certificou-se que não tinha ninguém olhando, e deu um soco na parede. A mão doeu bastante, ele quis gritar mas aguentou a dor. Mais dois murros. Calma, mais um pouco os ossos quebram, pensou. Era isso ou ir chorar no banheiro. Não suportava mais. Fracasso em cima de fracasso nas última três semanas, coisa nova para ele. Tinha que fazer alguma coisa. Fugir, voltar para a sua zona de conforto, apenas agora entendera o significado dessa expressão. No outro dia chamou o seu chefe e a pessoa do RH.

- Não aguento mais. - Desabafou. - Quero voltar. Não nasci para liderar, meu negócio é continuar técnico. Sou um Gerente de Projetos medíocre, mas era muito bom na minha função anterior. Sinto que não estou contribuindo para a empresa como poderia.

É difícil argumentar com alguém nessa situação. Entre perder um bom funcionário porque ele não está satisfeito com o que está fazendo ou realocá-lo para sua antiga função, a resposta é óbvia. E foi o que o chefe e o RH concordaram em fazer. Pediram apenas algumas semanas para arranjarem outra pessoa para função, o que Júlio achou perfeitamente razoável. E o simples fato de uma mudança no horizonte próximo já o fez sentir-se melhor.

Mas então, veio a tempestade, uma mudança organizacional. Dois dias depois ele estava com um novo chefe e a pessoa do RH havia deixado a empresa. Ainda que o novo Gerente parecesse um sujeito legal ele não entendia muito do negócio e estava chegando novo no setor, precisando de todo o suporte disponível. E o segundo em comando naquela organização era justamente o nosso amigo Júlio, ansioso por abandonar o barco e voltar para sua posição técnica. Ele levou duas semanas para criar coragem e falar com o novo chefe a respeito. Mas quando finalmente conseguiu, a conversa foi mais ou menos assim.

- Olha, não sei se você está a par, mas combinei com o meu antigo chefe que estaria voltando para minha posição anterior. Comecei gerente de projeto há pouco mais de um mês e estou apanhando feito bicho. Não sou um bom gerente de projetos, mas era um bom desenvolvedor. Quero voltar a fazer o que fazia antes...

O novo gerente deixou Júlio falar, normalmente ele falava muito rápido, mas também sabia ouvir, coisa que Júlio achava rara nos gerentes da empresa.

- Olha, nos conhecemos a pouco, mas até agora não tenho reclamação nenhuma do seu trabalho. Talvez você esteja exagerando ou seja muito exigente consigo mesmo. O fato é que não vejo razão nenhuma para a mudança.

- Mas... - Tentou contra-argumentar.

- Ok, entendo o teu ponto, mas preciso de ajuda aqui também. Vamos fazer o seguinte. Me dá mais um mês, só mais um mês eu te peço. E se nesse meio tempo você mudar de idéia tudo bem, mas preciso do seu suporte por quanto tempo você aguentar, pelo menos até eu conseguir tocar as coisas sozinho. Ninguém conhece o setor melhor que tu

Era uma proposta justa, mais um mês.

- Tudo bem.

Incrivelmente o mês virou dois, que viraram seis. A verdade é que o trabalho tornou-se tão desafiador e ele estava aprendendo tanta coisa que o desconforto de não ter controle ficou em segundo plano. Depois de um tempo, percebeu que havia encontrado o seu caminho através de uma rota que jamais imaginara para si. O que mudou? Até hoje Júlio não sabe explicar ao certo, mas com certeza o fato de ter alguém apostando todas as fichas em você fez toda a diferença.

[]s

Jack DelaVega