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quarta-feira, 11 de julho de 2007

Meu Filho, Olha o que Tu Ta Fazendo...

Uma instalação deveria começar às 17 horas e acabar tranquilamente às 2 horas da manhã do dia seguinte. Tinha tudo para dar certo...

Tinha tudo, mas não deu. Terminou às 6:30 horas da manhã com 3 erros a serem resolvidos em um Service Pack, agendado para a semana seguinte. Por quê? Várias causas, mas a principal foi um erro na execução de um script de banco de dados, onde nem o DBA nem o desenvolvedor responsável dignaram-se a olhar o log de execução. Puxa, será que a área de TI ainda é tão principiante?

Tenho uma teoria simples, que em TI vejo funcionar 100% das vezes. Quanto mais simples o erro, mais difícil de encontrá-lo. No caso, o que ocorreu foi que dois sinônimos de banco de dados, na hora da criação, retornaram erro. Para completar, o erro foi mascarado por um erro de permissão do WebLogic. Pronto. O time técnico tinha na mão os ingredientes corretos para ficar olhando feito barata tonta para tudo que é lado, exceto o banco de dados. Para completar, o especialista em WebLogic que chamamos para nos ajudar, tinha certeza absoluta que sim, era um problema dele.

O que não consigo conceber é que ainda cometemos erros como esse, onde simplesmente ignoramos o resultado do que estamos fazendo. É como se trabalhássemos vendados. Se cada log de execução tivesse sido verificado, teríamos gasto 10 minutos a mais e economizado 4 horas e meia. Faça os cálculos você mesmo.

A causa de tudo foi a maldita confiança infundada. Aquela em que temos certeza que tudo dará certo e nem levamos em conta a possibilidade do erro. Se você está sozinho, e o erro influencia apenas você mesmo, você tem esse direito. Agora, se você está inserido em um time, não há espaço algum para atitudes como essa.

Infelizmente, a solução para um problema tão simples não é tão fácil – nem tão rápida. Exige mudança de mentalidade. Exige que, principalmente em momentos críticos, como no Go-Live de um sistema, tudo seja verificado 2 vezes, por mais chato e inútil que possa parecer na hora. A pessoa deve estar ciente que não está fazendo isso para ele – está fazendo para o time. Se mesmo assim achar inútil, é sinal que não sabe jogar em time e, portanto, não serve para a empresa.

Enquanto essa consciência de qualidade, disciplina e senso de time não estiver presente na área de TI, continuaremos fazendo fiasco perante o business. E pior, fazendo a empresa perder milhares ou até milhões de dólares devido ao downtime. Que vergonha...

Dr. Zambol
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terça-feira, 10 de julho de 2007

Post Extraordinário - Fábricas de Software no Brasil

Pessoal:
O nosso amigo e colaborador, Nobre Jabor, enviou o link para uma reportagem da revista Exame sobre Fábricas de Sofware no Brasil. O texto é simplesmente obrigatório para quem trabalha na área, daí o post extraordinário. Gostaria de ouvir a opinião de vocês a respeito. Segue abaixo o link.

Obrigado Jabor.
[]s
Jack DelaVega

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O que você vai ser quando Crescer?

Luis tem um irmão um ano mais velho que ele, os pais são arquitetos. Na infância entraram na escola praticamente juntos. Na volta da escola costumavam mostrar os desenhos que faziam na aula para os pais.
- Foi aí que eu descobri que nunca seria um Arquiteto. Ele me conta resignado. Os desenhos do meu irmão eram incríveis, enquanto tudo que eu conseguia fazer era aquela casinha com uma árvore do lado.
Mas se descartar arquitetura foi fácil, escolher outra opção foi obra do acaso.
- Não sabia exatamente o que fazer no vestibular com arquitetura fora, engenharia acabou caindo por terra também, não iria agüentar as piadas em casa. Medicina? Nem pensar, não suporto ver sangue. Como também não sabia o que era informática, resolvi apostar.
Uma opção acertada, diga-se de passagem, Luis é um dos melhores profissionais com quem já trabalhei.

Mais da metade da turma que iniciou a faculdade comigo pensava como ele, eu inclusive. Mas o que realmente me assusta é que, enquanto no passado optávamos por TI por não saber do que se tratava, hoje vejo muita gente optando por pensar se tratar de outra coisa.

- Hmm, gosto de usar e-mail, IM, Orkut, jogos de computador. Tá aí! Já decidi o que quero fazer da vida.

O resultado disso são as barbaridades que a gente escuta no mercado, como essa que descrevo a seguir. Estava entrevistando estagiários para algumas vagas de programador, o candidato em questão cursava o quarto semestre. Fiz aquela pergunta padrão, sobre quais eram os planos de carreira dele:

- Olha, pra falar a verdade já estou um pouco cansado de programar, quero mesmo é trabalhar como analista ou gerente de projeto.

Me chamem de old-school, mas recusei o sujeito na hora. Outro gerente resolveu apostar. Quem sabe para trabalhar com desenvolvimento de software não é preciso gostar de programar mesmo. Talvez pra ser gerente de TI não seja preciso entender de informática, mas isso é assunto para um outro post.

[]s
Jack DelaVega

sábado, 7 de julho de 2007

Fazendo a coisa certa

A maioria de vocês já conhece o Larry. Lá estava ele, naquela fase próspera de sua vida profissional. Salário, reconhecimento, blá, blá, blá. Mas o foco dele naquele momento era "métricas".

Há algum tempo imerso em culturas organizacionais ditas "de ponta", Larry estava com compulsão por medir as coisas. No trabalho, media o número de linhas de código por projeto, número de projetos entregues no ano (com percentual de atrasos na entrega). Media o retorno financeiro dos projetos para a empresa, entre outras dezenas de métricas. Em casa, tinha uma planilha para acompanhamento de suas finanças, com gráficos e tudo. Sabia quanto em média seu salário anual havia aumentado nos últimos 5 anos. Nunca contou para ninguém, mas eu sei que ele controlava até o número médio de relações sexuais por semana, com desvio-padrão e tudo.

Assim como o Neo passou a enxergar os caracteres verdinhos da Matrix, Larry estava vivendo em função de métricas. Nada de anormal para ele, afinal, o contexto organizacional no qual ele estava inserido fomentava aquilo.

Um belo dia, Larry chegou no trabalho pela manhã. A princípio seria mais um dia naquele projeto fantástico e crítico em que ele estava trabalhando. Mas não foi um dia comum. Larry viu-se diante de um problema. Algo que ninguém havia percebido antes e que rapidamente se mostrou uma barreira intransponível para o projeto. Não mais que de repente, uma encruzilhada desenhou-se à sua frente. Seguindo o caminho padrão, Larry reduziria o escopo do projeto a algumas poucas funcionalidades devido ao problema detectado. A entrega do projeto estaria garantida, os riscos seriam minimizados, os ânimos acalmados, e principalmente, as métricas não seriam afetadas. Seria entregue mais um projeto no prazo, dentro do orçamento, segundo o que o cliente desejava (dentro do possível).

E havia o outro caminho...

Seguindo o outro caminho, Larry teria problemas. Teria que envolver mais pessoas no projeto (de fato, estas deveriam ter sido envolvidas antes). Teria que renegociar prazos (provavelmente haviam sido mal definidos mesmo). Teria que solicitar uma verba adicional. Assumiria mais riscos. Mas entregaria algo realmente inovador para o cliente. Agregaria valor (para usar um termo da moda) ao negócio. Enfim, Larry estaria fazendo a coisa certa.

Qual caminho você acha que Larry escolheu? Qual você escolheria?

Muitas pessoas preferem "manter as métricas" a fazer a coisa certa. Justo. É muito mais fácil. Mas tente uma vez na semana, ou no mês, fazer a coisa certa. No trabalho, na vida pessoal, em qualquer escopo. A satisfação é fantástica, verdadeira, pura.

Quanto ao Larry, bom, ele escolheu o caminho mais fácil. Ele é um cara legal, só vacila de vez em quando.

Reggie, the Engineer.
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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Meu Partido, Meus Valores

Esses dias tive a sensação de estar sendo chato. Eu e mais 3 gerentes havíamos combinado de seguir uma estratégia específica. A estratégia era simples, tinha a ver com o social, nenhuma coisa muito difícil de seguir. Não entrarei especificamente no significado da estratégia porque não é o assunto desse Post – o tornaria muito longo. O que é importa aqui é o que se faz com a estratégia...

Para mim, estratégia define o rumo das ações – todas as ações relativas aquele assunto. Afinal, se não for assim, não temos nada, nem direção. É assim no xadrez, é assim na vida e certamente deveria ser assim no trabalho.

O problema que houve tem muito a ver com o Brasil, onde não existem mais partidos políticos. Direita e esquerda não têm mais significado algum. Quando alguém entra em um partido, o que ele quer é ganhar. As idéias lá compartilhadas nada significam para ele. O partido de todos é um só: o SEU. Se ele ganhar, vota a favor. Se ele perder alguma coisa, vota contra. Não importa o que é certo ou que é errado.

Mas voltando a reunião, o que me decepcionou é ver que essa característica da política está presente no ser humano de forma tão elevada que, quando este se sente ameaçado, esquece tudo. Diretrizes, estratégias e idéias por trás daquilo não fazem mais diferença. É como se uma luz vermelha dentro do estômago ligasse e fizesse abortar tudo. O corpo entra em modo de proteção.

O que houve na reunião foi exatamente isso. A estratégica montada foi por água abaixo porque comprometia a segurança de algumas pessoas naquela reunião. Elas estariam perdendo. A luz vermelha do estômago acendeu-se e o modo de proteção entrou em ação. Fui contra a natureza e insisti na estratégia. Fui chato mesmo, batendo no ponto. Mas as decisões já haviam sido tomadas, não havia caminho de volta...

Saí da reunião atordoado, mas com uma lição aprendida. A estratégia montada estava errada ou muito mal comunicada. Não pode haver uma estratégia onde os decisores envolvidos percam, a não ser que tenha ocorrido a análise de alguns cenários e o grupo decisório tenha acordado e assinado em ata que seguirão aquela estratégica independentemente do quão afetará pessoalmente eles. Se não for assim, na hora que as pessoas sentirem que a estratégia pode estar jogando contra eles, mesmo que seja o certo a fazer, irão abortar e apagar a estratégia.

Lembre-se disso: a estratégia deve levar em conta o modo de proteção do ser-humano, e isso deve ficar claro a todos. Caso contrário, ela pode se voltar contra você e talvez nunca mais encontre o caminho de volta para casa...

Dr. Zambol
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Carta de Demissão

Extraído dos arquivos secretos de DelaVega.

Prezado Volnei:

Venho por meio dessa, solicitar o meu imediato desligamento do projeto.
Nesses poucos meses de trabalho aprendi bastante, aprendi muito mesmo, mas principalmente aprendi como não se deve conduzir um projeto. Desde que iniciei só o que fizemos foi adicionar mais e mais gente. Dobramos de tamanho duas vezes e nada de atingir os objetivos estabelecidos. É como se estivéssemos apagando um incêndio com gasolina. É uma pena.

Fica a certeza de que tecnicamente esse time é muito forte, e a frustração de poderíamos entregar um escopo muito maior, mas faltou liderança, direção para as pessoas, cada um está correndo para um lado diferente.

Pode ser apenas que esteja apenas muito cansado. Também, cinqüenta e cinco dias de trabalho, sem Sábados, Domingos ou feriados cansam qualquer um. Ou quem sabe só me sinta injustiçado, afinal ao me recusar trabalhar o pelo qüinquagésimo sexto, acabei sendo rotulado como “aquele que não veste a camiseta.

Podem me chamar de covarde, o que seja. Lembro de um amigo que sempre comenta: “Os ratos são os primeiros a abandonar o navio”. Pensando desse jeito me sinto um pouco como um rato agora. Porém, só consigo trabalhar nas coisas que realmente acredito e deixei de acreditar nesse projeto há muito tempo. Sinceramente não acredito que algum dia esse sistema vai ser entregue, e se realmente for, coitado do cliente.

p.s: Deixei o crachá em cima da tua mesa. Pode fazer o favor de enfiar ele na XXXXX.

[]s
Jack DelaVega